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JO ˜ AO EUGENIO MARYNOWSKI
AMBIENTE DE PLANEJAMENTO IP ˆ E
Disserta¸ c˜ ao apresentada como requisito parcial a ` obten¸ c˜ ao do grau de Mestre. Programa de P´ os-Gradua¸ c˜ ao em Inform´ atica, Setor de Ciˆ encias Exatas, Universidade Federal do Paran´ a.
Orientador: Prof. Dr. Marcos Castilho
CURITIBA 2004
Dedico esta disserta¸ c˜ ao de mestrado aos meus pais, Eugenio Marynowski e Mar´ ılia de Jesus Marynowski.
Agradecimentos
Agrade¸ co primeiramente a Deus por me conceder sua preciosa companhia me amparando e me auxiliando nos momentos mais dif´ ıceis.
Agrade¸ co ` a minha fam´ ılia, meu pai Eugenio, minha m˜ ae Mar´ ılia, minha irm˜ a M´ arcia e minha sobrinha Rafaela, pelo apoio incondicional e compreens˜ ao em meus momentos de ausˆ encia, que reconhe¸ co n˜ ao terem sido poucos. Lembro aqui da minha namorada Corina que tanto me ajudou nesses e em outros momentos dif´ ıceis, muito obrigado.
Agrade¸ co ao meu orientador e amigo Marcos Alexandre Castilho pela confian¸ ca, dire¸ c˜ ao, incentivo, conselho e apoio dados durante esse trabalho.
Ao meu amigo Fabiano Silva que foi o principal respons´ avel para esse feito. Foi meu professor durante a minha gradua¸ c˜ ao, fez uma excelente propaganda de sua ´ area de pesquisa de modo tal que n˜ ao consegui escapar e este foi o resultado. Muito obrigado por sua ajuda em todos os aspectos.
Aos professores Luiz Allan e Andre Guedes pela ´ otima contribui¸ c˜ ao e aos meus amigos do mestrado, Andreas, Ara´ ujo, Bona, Egon, Evandro, Gabriel, Rodrigo, Thiago, Tiago, e a todos que me auxiliaram e me proporcionaram um excelente ambiente de trabalho.
Ao Departamento de Inform´ atica da UFPR, especialmente ao professor e amigo Alexandre I. Direne por proporcionar o suporte institucional e pelo seu grande incentivo.
Um agradecimento especial a Jusefina e a Jusefa, por tantas horas de trabalho.
SUM ´ ARIO
| Resumo | iii | |||
|---|---|---|---|---|
| Abstract | iv | |||
| 1 | Introdu¸ c˜ ao | 1 | ||
| 2 | O problema de planejamento em IA | 5 | ||
| 2.1 | Fundamentos . . . . . . . . . . . . . . | . 5 | ||
| 2.2 | A linguagem PDDL . . . . . . . . . . . | . 7 | ||
| 2.3 | Estruturas de representa¸ c˜ ao . . . . . . | . 12 | ||
| 2.3.1 O grafo de planos relaxado . . . | . 13 | |||
| 2.3.2 O grafo de planos . . . . . . . . | . 16 | |||
| 2.4 | Planejadores baseados no grafo de planos | . 20 | ||
| 2.4.1 Busca exaustiva no grafo de planos | . 20 | |||
| 2.4.2 Grafo de planos como pr´ e-processamento | . 24 | |||
| 2.4.3 Busca heur´ ıstica com base no grafo | . 34 | |||
| 2.5 | As competi¸ c˜ oes de planejadores . . . . | . 36 | ||
| 3 | Ambiente de Planejamento Ipˆ | e | 39 | |
| 3.1 | A arquitetura IPE . . . . . . . . . . . | . 39 | ||
| 3.2 | Construindo planejadores . . . . . . . . | . 42 | ||
| 3.2.1 GRAPHPLAN -1 . . . . . . . . | . 43 | |||
| 3.2.2 PETRIPLAN -1 . . . . . . . . . | . 44 | |||
| 3.2.3 PETRIPLAN -2 . . . . . . . . . | . 45 | |||
| 4 | Experimentos | 48 | ||
| 5 | Conclus˜ ao | 56 | ||
Resumo
Neste trabalho investigamos sistemas que implementam algoritmos para o problema de planejamento em Inteligˆ encia Artificial, denominados planejadores, com especial aten¸ c˜ ao aos baseados no grafo de planos. Analisamos o problema de se comparar o desempenho dos diferentes algoritmos e propomos um ambiente para facilitar o desenvolvimento e an´ alise de planejadores.
Palavras chave: Inteligˆ encia Artificial, Planejamento e Grafo de Planos.
Abstract
In this work we investigate the systems that implements algorithms for the planning problem in Artificial Intelligence, called planners, with especial attention to the planners based on the plan graph. We analyze the problem of comparing the performance of the different algorithms and we propose an environment for the development and analysis of planners.
Keywords: Artificial Intelligence, Planning and Plangraph.
Cap´ ıtulo 1
Introdu¸ c˜ ao
Uma das habilidades mais importantes do ser humano ´ e conseguir planejar a¸ c˜ oes que levam a ter um determinado objetivo atingido. Por exemplo, como pode-se chegar na universidade em 15 minutos para n˜ ao se perder a reuni˜ ao? Quais as a¸ c˜ oes que devemos executar para solucionar esse problema? Encontrar estas a¸ c˜ oes utilizando um computador ´ e o objeto de estudo no Planejamento em Inteligˆ encia Artificial .
Neste contexto, um planejador ´ e um sistema que recebe como entrada um estado inicial, um conjunto de a¸ c˜ oes poss´ ıveis, o estado final desejado e gera um plano . Por exemplo, o planejador recebe o estado inicial 'estar em casa', diversas a¸ c˜ oes poss´ ıveis e o estado final desejado 'estar na universidade em 15 minutos' e retorna um plano que pode ser a seq¨ uˆ encia: 'pegue o telefone', 'ligue para um t´ axi', 'entre no t´ axi' e 'diga ao motorista: preciso estar na universidade em 10 minutos'.
Planejamento ´ e um dos temas mais antigos na Inteligˆ encia Artificial (IA). As primeiras abordagens datam dos anos 60 no contexto de um subproblema da ´ area de prova autom´ atica de teoremas em l´ ogica de primeira ordem [Gre69]. Essa abordagem apresentava diversos problemas, sendo ainda ineficiente ao resolver problemas de planejamento.
Em 1971 Fikes e Nilsson definiram uma linguagem simplificada para a descri¸ c˜ ao dos problemas. Conhecida como STRIPS [FN71], essa linguagem permitiu tratar o planejamento como um problema de busca em um espa¸ co de estados. Apesar de ter simplificado significativamente o problema, a complexidade te´ orica para esta categoria est´ a em PSPACE-Completo [Byl94] e ´ e denominada planejamento cl´ assico.
At´ e a primeira metade dos anos 90 os planejadores desenvolvidos ainda eram baseados em antigas t´ ecnicas de busca, o que era insuficiente para tratar problemas simples que geravam amplos espa¸ cos de busca. A partir de ent˜ ao, novas id´ eias surgiram. A primeira introduziu a busca no espa¸ co de planos, onde se tentava construir um plano a partir de operadores de planos. A partir de um plano vazio, se constru´ ıam seq¨ uˆ encias de a¸ c˜ oes que tentavam transformar o estado inicial no estado final. O principal representante desta t´ ecnica ´ e o UCPOP [PW92].
A segunda id´ eia foi baseada nos novos e r´ apidos algoritmos que foram propostos para resolver problemas de satisfatibilidade (SAT) [KS92]. Passando-se por um processo de redu¸ c˜ ao do problema de planejamento a um problema de se resolver uma instˆ ancia SAT foi poss´ ıvel obter excelentes resultados com alguns problemas n˜ ao triviais.
Finalmente, foi encontrada uma estrutura de dados que permitiu representar o espa¸ co de busca de maneira mais compacta e conseq¨ uentemente levou ` a implementa¸ c˜ ao de um algoritmo sofisticado e eficiente que resolveu v´ arios problemas dif´ ıceis. Esta estrutura de dados ´ e o grafo de planos e o algoritmo o GRAPHPLAN [BF95].
Desde ent˜ ao foram apresentados muitos outros algoritmos baseados no grafo de planos. Tamb´ em o planejamento foi relacionado com outras ´ areas de pesquisa, tais como a Programa¸ c˜ ao Inteira [VBLN99], a Programa¸ c˜ ao por Restri¸ c˜ ao [BC99], as Redes de Petri [SCK00], entre outras. A figura 1.1 ilustra as diferentes t´ ecnicas aplicadas hoje no planejamento, como elas se relacionam e indica referˆ encias aos trabalhos que propuseram as respectivas abordagens:
Estes importantes avan¸ cos motivaram o resgate das antigas t´ ecnicas de busca, resultando em planejadores extremamente r´ apidos, tais como o HSP [BG98] e o FF [HN01], que obtiveram ˆ exito ao definir ´ otimas fun¸ c˜ oes heur´ ısticas para guiar a busca. O FF , por exemplo, usa o grafo de planos como base para uma fun¸ c˜ ao heur´ ıstica em um processo de subida de encosta e ´ e considerado hoje o melhor sistema planejador.
A pr´ opria evolu¸ c˜ ao da computa¸ c˜ ao e das t´ ecnicas de programa¸ c˜ ao permitiu um grande avan¸ co no desenvolvimento de planejadores. Um fato que caracteriza fortemente essa evolu¸ c˜ ao ´ e a reimplementa¸ c˜ ao do algoritmo STRIPS original que resultou em um planejador que resolve problemas dif´ ıceis [Lin01]. A figura 1.2 apresenta a hierarquia dos
principais planejadores que surgiram de 1971 a 2000.
Um ponto interessante a ser observado ´ e a dificuldade em se comparar e analisar estes diferentes planejadores. Isto n˜ ao ´ e tarefa f´ acil pois os planejadores s˜ ao constru´ ıdos em diferentes plataformas usando diferentes linguagens de programa¸ c˜ ao, diferentes estruturas de dados e s˜ ao baseados em diferentes linguagens de interface.
Para tentar resolver este problema a comunidade de planejamento criou a Competi¸ c˜ ao Internacional de Planejadores, evento bienal cuja primeira vers˜ ao aconteceu em 1998. Nesse ano foi definida uma linguagem unificada para descrever problemas de planejamento, denominada PDDL [McD98b]. Essa linguagem foi formada pela jun¸ c˜ ao das linguagens STRIPS e ADL [Ped89] e ´ e considerada hoje a linguagem de descri¸ c˜ ao padr˜ ao para a comunidade de planejamento. A escolha de uma linguagem de programa¸ c˜ ao comum n˜ ao foi considerada, mas a maioria dos planejadores est˜ ao escritos em C ou C++.
Oponto relevante a respeito das competi¸ c˜ oes ´ e que os planejadores s˜ ao somente comparados observando os resultados finais obtidos com rela¸ c˜ ao ao tempo gasto ou ao tamanho do plano, o que n˜ ao ´ e suficiente para permitir an´ alises mais profundas. Ainda, ao observar somente os resultados finais torna-se dif´ ıcil declarar claramente um ganhador ou que um algoritmo ´ e melhor que os outros. Por exemplo, na competi¸ c˜ ao de 1998, foi dif´ ıcil apontar o vencedor [McD98a].
Na primeira competi¸ c˜ ao foram avaliados o n´ umero de problemas resolvidos, o tempo total gasto para resolvˆ e-los e o tamanho dos planos encontrados. A cada nova vers˜ ao da competi¸ c˜ ao s˜ ao adicionados mais crit´ erios para essa avalia¸ c˜ ao sempre em busca de melhor avaliar o desempenho dos planejadores. Neste sentido, os planejadores s˜ ao considerados como entidades que resolvem problemas a partir de uma descri¸ c˜ ao comum, sem considerar como s˜ ao resolvidos.
Em nossa opini˜ ao isto ´ e insuficiente como an´ alise. O que est´ a sendo feito ´ e analisar
programas completos e isto empobrece a an´ alise. Na nossa vis˜ ao, planejadores s˜ ao algoritmos sobre estruturas de dados. Nossa tentativa ´ e analisar os planejadores recentes em termos de suas estruturas de dados (representa¸ c˜ oes) e do algoritmo planejador (resolvedor). Por exemplo o planejador BLACKBOX [KS99] trabalha em duas fases, na primeira ´ e constru´ ıda a estrutura de dados e na segunda obt´ em-se a solu¸ c˜ ao via um resolvedor SAT. Melhorando-se a representa¸ c˜ ao, melhora-se o algoritmo final.
Neste trabalho propomos um modo complementar para comparar os planejadores em rela¸ c˜ ao ` as competi¸ c˜ oes. Propomos um ambiente comum baseado em conceitos orientados ` a objetos para construir planejadores: o Ambiente de Planejamento Ipˆ e ( IPE -Ipˆ e Planning Environment ). Sua caracter´ ıstica principal ´ e a separa¸ c˜ ao clara dos processos envolvidos em um planejador: a descri¸ c˜ ao dos problemas, a estrutura de representa¸ c˜ ao e o resolvedor.
Temos como meta disponibilizar um ambiente geral para planejamento permitindo o desenvolvimento e a integra¸ c˜ ao de formas diferentes de representa¸ c˜ ao, diferentes algoritmos e modos diferentes de descrever os problemas a serem resolvidos. A id´ eia ´ e permitir a implementa¸ c˜ ao de sistemas que interpretem problemas descritos em PDDL , STRIPS , ADL ou possivelmente outras linguagens, gerando representa¸ c˜ oes como grafo de planos, redes de Petri, instˆ ancias SAT , entre outras. Tamb´ em deve possibilitar a implementa¸ c˜ ao de diferentes resolvedores que utilizar˜ ao essas representa¸ c˜ oes. Queremos dar liberdade para o programador escolher a combina¸ c˜ ao desejada de linguagem de descri¸ c˜ ao, representa¸ c˜ ao e algoritmo resolvedor.
Outra motiva¸ c˜ ao ´ e educacional. O IPE pode servir como uma ´ otima ferramenta para cursos de Inteligˆ encia Artificial e Planejamento para a gradua¸ c˜ ao e/ou p´ os-gradua¸ c˜ ao. Algumas estruturas b´ asicas j´ a est˜ ao finalizadas, por exemplo: o interpretador de descri¸ c˜ oes em PDDL , as representa¸ c˜ oes grafo de planos e redes de Petri, os resolvedores de busca exaustiva e alcan¸ cabilidade, bem como a interface. Os estudantes podem, portanto, implementar outros algoritmos e representa¸ c˜ oes conhecidas, desenvolver novos algoritmos e representa¸ c˜ oes ou podem simular uma competi¸ c˜ ao inteira comparando e analisando melhor as diferen¸ cas entre os planejadores.
O texto est´ a estruturado como segue. No cap´ ıtulo 2 ´ e feita uma abordagem geral do problema de planejamento em IA apresentando em detalhes o funcionamento dos planejadores, destacando a representa¸ c˜ ao grafo de planos e os principais planejadores nele baseados. No cap´ ıtulo 3 apresentamos o IPE , destacando sua arquitetura e uso. No cap´ ıtulo 4 ´ e feita uma an´ alise envolvendo trˆ es planejadores implementados no IPE . No cap´ ıtulo 5 s˜ ao apresentadas algumas conclus˜ oes e propostas para trabalhos futuros.
Cap´ ıtulo 2
O problema de planejamento em IA
Neste cap´ ıtulo apresentaremos os fundamentos da ´ area de planejamento em Inteligˆ encia Artificial, particularmente no que se refere ao chamado planejamento cl´ assico ou planejamento baseado na linguagem STRIPS .
Mostraremos a defini¸ c˜ ao formal do problema de planejamento, a linguagem padr˜ ao para descri¸ c˜ ao de dom´ ınios e problemas, as estruturas de representa¸ c˜ ao mais importantes bem como os principais algoritmos empregados. Nosso objetivo ´ e apresentar a linguagem PDDL , a representa¸ c˜ ao grafo de planos e os principais algoritmos nela baseados.
2.1 Fundamentos
Formalmente, um problema de planejamento P = < O , I , G > ´ e uma tupla onde O ´ e o conjunto de a¸ c˜ oes, I ´ e o estado inicial, e G ´ e o estado final. Um plano solu¸ c˜ ao para P ´ e uma seq¨ uˆ encia de a¸ c˜ oes de O que transformam I em G .
Considere por exemplo um comerciante que deseja transportar um conjunto de pacotes do dep´ osito para suas duas lojas, para reabastecer seus estoques locais. Esse problema pode ser representado como um conjunto de a¸ c˜ oes em O descritas como: 'carregar pacote p no caminh˜ ao c ', 'dirigir o caminh˜ ao c da localidade l 1 para a localidade l 2 ', 'descarregar o pacote p do caminh˜ ao c '.
O estado inicial, contido em I , representa o atual estoque de cada loja e G ´ e a situa¸ c˜ ao desejada pelo comerciante. Uma solu¸ c˜ ao para esse problema, considerando que o caminh˜ ao esteja no dep´ osito, ´ e uma seq¨ uˆ encia de a¸ c˜ oes semelhante ` a:
- carregar o caminh˜ ao com os pacotes, p 1 , p 2 ,..., p n
- dirigir o caminh˜ ao do dep´ osito para a loja 1.
- descarregar os pacotes p 1 , p 2 ,..., p i na loja 1.
- dirigir o caminh˜ ao da loja 1 para a loja 2.
5. descarregar os pacotes p i +1 , p i +2 ,..., p n na loja 2.
Existem diversas maneiras de se representar as informa¸ c˜ oes que definem um problema de planejamento no computador. As primeiras abordagens datam dos anos 60, quando se usava uma descri¸ c˜ ao baseada em L´ ogica de Primeira Ordem ( LPO ). Isto resultava em diversos problemas, o principal deles era o problema da Persistˆ encia [MH69], al´ em, evidentemente, dos problemas relativos ao processo de Prova Autom´ atica de Teoremas em LPO [Gre69].
Em 1971, Fikes e Nilsson propuseram um formalismo baseado n˜ ao em l´ ogica, mas em um processo de transforma¸ c˜ oes controladas da descri¸ c˜ ao do estado usando um engenhoso mecanismo de listas. Este mecanismo permitiu definir o problema de planejamento como uma busca em um espa¸ co de estados. O algoritmo e a linguagem de representa¸ c˜ ao por eles apresentados ficaram conhecidos como STRIPS [FN71].
Aid´ eia da linguagem STRIPS ´ e representar os estados do mundo atrav´ es de conjun¸ c˜ oes de literais instanciados livres de fun¸ c˜ oes, ou seja, predicados aplicados sobre constantes ( LPO ) tamb´ em chamados proposi¸ c˜ oes. Na descri¸ c˜ ao dos estados assume-se que todas as f´ ormulas atˆ omicas n˜ ao explicitamente listadas s˜ ao falsas, o que ´ e chamado de 'Hip´ otese do Mundo Fechado'.
Cada a¸ c˜ ao o ´ e definida pela tupla: o = ( pre ( o ) , add ( o ) , del ( o )), onde pre ( o ) ´ e a lista de pr´ e-condi¸ c˜ oes, add ( o ) ´ e a lista de efeitos adicionados, e del ( o ) ´ e a lista de efeitos removidos. A lista de pr´ e-condi¸ c˜ oes ´ e uma conjun¸ c˜ ao de literais positivos que devem ser verdadeiros para que a a¸ c˜ ao possa ser aplicada. A lista de efeitos adicionados ´ e uma conjun¸ c˜ ao de literais positivos que ser˜ ao inclu´ ıdos no pr´ oximo estado e a lista de efeitos removidos ´ e uma conjun¸ c˜ ao de literais que ser˜ ao removidos no pr´ oximo estado.
O resultado da aplica¸ c˜ ao de uma a¸ c˜ ao o em um estado S ´ e definido como a adi¸ c˜ ao das proposi¸ c˜ oes da lista add ( o ) e a remo¸ c˜ ao das proposi¸ c˜ oes da lista del ( o ) somente se as proposi¸ c˜ oes da lista pre ( o ) existirem no estado S .
O conjunto O , que define as a¸ c˜ oes poss´ ıveis segundo o problema, ´ e dado pela instancia¸ c˜ ao de todas as a¸ c˜ oes com todos os objetos, podendo gerar algumas a¸ c˜ oes que n˜ ao ser˜ ao usadas e algumas que n˜ ao ser˜ ao v´ alidas, mas todas devem ser instanciadas para serem avaliadas.
A instancia¸ c˜ ao ´ e o processo pelo qual as vari´ aveis que s˜ ao utilizadas na defini¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes s˜ ao substitu´ ıdas pelos objetos dispon´ ıveis no problema a ser resolvido. Essa defini¸ c˜ ao ser´ a apresentada em mais detalhes na se¸ c˜ ao seguinte.
Em planejamento pode-se classificar um problema como sendo relaxado , onde n˜ ao s˜ ao considerados os efeitos de remo¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes. Assim, um problema de planejamento relaxado P � de um problema de planejamento P , ´ e formalmente definido como: P � = < O � , I , G > , onde:
Em outras palavras, o problema de planejamento relaxado ´ e obtido ignorando-se as listas de efeitos removidos das a¸ c˜ oes. Esse conceito ser´ a abordado em mais detalhes na se¸ c˜ ao 2.3.1.
O formalismo baseado em regras apresentado pela linguagem STRIPS permitiu a implementa¸ c˜ ao efetiva de planejadores, mesmo este sendo um formalismo extremamente limitado, pois permite representar apenas uma classe restrita de problemas, conhecida como planejamento cl´ assico. Nesta categoria os problemas s˜ ao sempre determin´ ısticos e o mundo ´ e totalmente conhecido. As a¸ c˜ oes n˜ ao tem dura¸ c˜ ao e n˜ ao s˜ ao considerados recursos como tempo, distˆ ancia e consumo. O planejamento n˜ ao cl´ assico permite envolver aspectos complexos como replanejamento, universos dinˆ amicos e quantificadores universais. Neste contexto, estaremos interessados somente no planejamento cl´ assico.
Nas trˆ es pr´ oximas se¸ c˜ oes apresentaremos um planejador visto a partir do que consideramos ser suas trˆ es partes fundamentais: a linguagem de representa¸ c˜ ao, a estrutura de dados e os algoritmos em si.
2.2 A linguagem PDDL
A linguagem PDDL - ' The Planning Domain Definition Language ' [McD98b] foi desenvolvida em 1998 com o objetivo de unificar a defini¸ c˜ ao de problemas para sistemas de planejamento, permitindo assim compar´ a-los mais facilmente a partir de um mesmo conjunto de problemas.
Essa linguagem ´ e uma combina¸ c˜ ao das linguagens STRIPS e ADL e ´ e capaz de representar: efeitos condicionais; quantificadores universais; universos dinˆ amicos, permitindo a cria¸ c˜ ao e a destrui¸ c˜ ao de objetos; axiomas de dom´ ınio; especifica¸ c˜ ao de a¸ c˜ oes hier´ arquicas compostas de sub-a¸ c˜ oes e sub-metas e gerenciamento de m´ ultiplos problemas em m´ ultiplos dom´ ınios.
Um dom´ ınio ´ e definido basicamente pela descri¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes, ou seja, o conjunto O referenciando o problema de planejamento P = < O , I , G > . Os conjuntos I e G definem um problema particular para esse dom´ ınio. Assim podem haver v´ arios problemas para cada dom´ ınio, ou seja, v´ arias combina¸ c˜ oes de estados iniciais e finais. Por exemplo, segundo o nosso exemplo do comerciante, pode-se querer levar somente dois pacotes para a loja 1, ou quatro para a loja 2, caracterizando dois problemas distintos para o mesmo dom´ ınio.
Mais detalhadamente, a representa¸ c˜ ao de um dom´ ınio em PDDL ´ e dada por uma declara¸ c˜ ao contendo os seguintes itens:
- a defini¸ c˜ ao do nome do dom´ ınio;
- o conjunto de caracter´ ısticas de representa¸ c˜ ao necess´ arias para a defini¸ c˜ ao do dom´ ınio;
- o conjunto de predicados presentes no dom´ ınio; e
- as a¸ c˜ oes que podem ser executadas no dom´ ınio, descritas por:
- -nome da a¸ c˜ ao;
- -parˆ ametros passados para a a¸ c˜ ao;
- -conjun¸ c˜ ao das pr´ e-condi¸ c˜ oes da a¸ c˜ ao; e
- -conjun¸ c˜ ao dos efeitos da a¸ c˜ ao.
A representa¸ c˜ ao de um problema em PDDL ´ e descrita por uma declara¸ c˜ ao contendo os seguintes itens:
- defini¸ c˜ ao do nome do problema;
- dom´ ınio ao qual pertence;
- conjunto de objetos existentes no problema;
- estado inicial; e
- estado final;
A sintaxe da linguagem PDDL ´ e simples mas apresenta um grande n´ umero de itens para possibilitar a representa¸ c˜ ao de todas as funcionalidades por ela descritas. Como exemplo ser´ a aqui apresentado apenas um sub-conjunto de sua capacidade representativa. Um maior detalhamento da sintaxe e da semˆ antica da linguagem pode ser encontrado em [McD98b].
Usaremos apenas trˆ es itens da sintaxe: as palavras iniciadas por ':' s˜ ao r´ otulos reservados, as iniciadas por '?' s˜ ao vari´ aveis e as palavras depois do '-' s˜ ao tipos. A parentiza¸ c˜ ao define o limite de determinada defini¸ c˜ ao ou op¸ c˜ ao.
Descrevendo nosso exemplo do comerciante segundo a linguagem PDDL , temos a defini¸ c˜ ao do dom´ ınio como:
(define (domain comerciante) (:types caminh~ ao - ve´ ıculo pacote ve´ ıculo objeto localidade objeto - geral) (:predicates (em ?obj objeto ?loc - localidade) (dentro ?pkg - pacote ?veh - ve´ ıculo)) (:action carregar :parameters (?pkg - pacote ?truck - caminh~ ao ?loc - localidade)
:precondition (and (em ?truck ?loc) (em ?pkg ?loc)) :effect (and (not (em ?pkg ?loc)) (dentro ?pkg ?truck))) (:action descarregar :parameters (?pkg - pacote ?truck - caminh~ ao ?loc localidade) :precondition (and (em ?truck ?loc) (dentro ?pkg ?truck)) :effect (and (not (dentro ?pkg ?truck)) (em ?pkg ?loc))) (:action dirigir :parameters (?truck - caminh~ ao ?loc-from - localidade ?loc-to - localidade) :precondition (and (em ?truck ?loc-from) ) :effect (and (not (em ?truck ?loc-from)) (em ?truck ?loc-to))) )
A primeira linha cont´ em o nome do dom´ ınio. Da segunda ` a s´ etima linha s˜ ao descritos os tipos existentes e suas hierarquias. Da nona ` a d´ ecima primeira linha s˜ ao descritos os predicados. Todos os predicados devem estar contidos nesse conjunto pois, al´ em de formar os estados poss´ ıveis, s˜ ao utilizados na descri¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes.
A primeira a¸ c˜ ao descrita ´ e carregar , esta a¸ c˜ ao possui trˆ es parˆ ametros: um pacote, um caminh˜ ao e uma localidade; duas pr´ e-condi¸ c˜ oes: o caminh˜ ao estar na localidade assim como o pacote; e dois efeitos, um de remo¸ c˜ ao: negando que o pacote est´ a na localidade e um de adi¸ c˜ ao: o pacote est´ a dentro do caminh˜ ao.
Asegunda a¸ c˜ ao descrita ´ e descarregar ; esta a¸ c˜ ao tem os mesmos parˆ ametros que a a¸ c˜ ao anterior, mudando apenas as pr´ e-condi¸ c˜ oes: o caminh˜ ao estar na localidade e o pacote estar dentro do caminh˜ ao; e os efeitos: negando que o pacote est´ a dentro do caminh˜ ao e adicionando que o pacote est´ a na localidade.
A terceira e ´ ultima a¸ c˜ ao descrita ´ e dirigir , que tamb´ em possui trˆ es parˆ ametros: um caminh˜ ao, uma localidade origem e uma localidade destino; uma pr´ e-condi¸ c˜ ao: o caminh˜ ao estar na localidade origem; e dois efeitos, um de remo¸ c˜ ao: negando que o caminh˜ ao est´ a na localidade origem e um de adi¸ c˜ ao: o caminh˜ ao est´ a na localidade destino.
O problema, denominado aqui comerciante-1 , ´ e descrito como:
(define (problem comerciante-1) (:domain comerciante) (:objects pacote1 pacote2 - pacote caminh~ ao1 - caminh~ ao loja1 loja2 dep´ osito - localidade) (:init (em caminh~ ao1 dep´ osito) (em pacote1 loja1) (em pacote2 loja1)) (:goal (and (em pacote2 loja2) (em pacote2 loja2) )))
De forma an´ aloga ao dom´ ınio, temos na primeira linha a defini¸ c˜ ao do nome do problema, comerciante-1 . Na segunda linha ´ e definido o dom´ ınio do qual este problema faz parte, no nosso caso comerciante . Na terceira linha s˜ ao definidos os objetos existentes: pacote 1 e pacote 2 do tipo pacote ; caminh˜ ao 1 do tipo caminh˜ ao ; e loja 1, loja 2 e dep´ osito como sendo do tipo localidade .
O r´ otulo reservado ':init', define o in´ ıcio da descri¸ c˜ ao do estado inicial formado pelas proposi¸ c˜ oes: caminh˜ ao 1 no dep´ osito ; pacote 1 na loja 1; pacote 2 na loja 1. De forma an´ aloga, o r´ otulo reservado ':goal' define o in´ ıcio da descri¸ c˜ ao do estado final formado pelas proposi¸ c˜ oes: pacote 1 na loja 2; pacote 2 na loja 2.
Como foi apresentado anteriormente, as a¸ c˜ oes s˜ ao descritas utilizando-se uma nota¸ c˜ ao de primeira ordem, o que ´ e facilmente interpretado pelo ser humano mas dificilmente pelo computador. Ent˜ ao faz-se necess´ ario um processo para transformar o conjunto de regras em primeira ordem para um conjunto de regras proposicionais que s˜ ao facilmente interpretadas computacionalmente.
As informa¸ c˜ oes de um problema de planejamento descritas em PDDL s˜ ao normalmente armazenadas em arquivos, separados em arquivos de dom´ ınio e problema. Ap´ os obtˆ e-las, utilizando-se de um analisador sint´ atico, o planejador efetua a instancia¸ c˜ ao de todas as a¸ c˜ oes com todos os objetos gerando um conjunto de regras proposicionais.
Esse processo consiste em fazer a combina¸ c˜ ao de cada parˆ ametro de cada a¸ c˜ ao com todos os objetos poss´ ıveis. Como na defini¸ c˜ ao dos parˆ ametros das a¸ c˜ oes foram definidos os tipos referentes, os objetos poss´ ıveis ser˜ ao os que apresentam o mesmo tipo requerido. Por exemplo, dados os parˆ ametros da a¸ c˜ ao carregar : um pacote, um caminh˜ ao e uma localidade; e os objetos: pacote 1 e pacote 2 sendo do tipo pacote ; caminh˜ ao 1 do tipo caminh˜ ao ; e loja 1, loja 2 e dep´ osito como sendo do tipo localidade ; faz-se a combina¸ c˜ ao dos objetos compat´ ıveis com cada parˆ ametro, gerando:
carregar ( pacote 1, caminh˜ ao 1, loja 1)= ( { em ( caminh˜ ao 1, loja 1) ∧ em ( pacote 1, loja 1) } , { dentro ( pacote 1, caminh˜ ao 1) } , { em ( pacote 1, loja 1) } ), carregar ( pacote 1, caminh˜ ao 1, loja 2)= ( { em ( caminh˜ ao 1, loja 2) ∧ em ( pacote 1, loja 2) } , { dentro ( pacote 1, caminh˜ ao 1) } , { em ( pacote 1, loja 2) } ), carregar ( pacote 1, caminh˜ ao 1, dep´ osito )= ( { em ( caminh˜ ao 1, dep´ osito ) ∧ em ( pacote 1, dep´ osito ) } , { dentro ( pacote 1, caminh˜ ao 1) } , { em ( pacote 1, dep´ osito ) } ), carregar ( pacote 2, caminh˜ ao 1, loja 1)=
( { em ( caminh˜ ao 1, loja 1) ∧ em ( pacote 2, loja 1) } , { dentro ( pacote 2, caminh˜ ao 1) } , { em ( pacote 2, loja 1) } ), carregar ( pacote 2, caminh˜ ao 1, loja 2)= ( { em ( caminh˜ ao 1, loja 2) ∧ em ( pacote 2, loja 2) } , { dentro ( pacote 2, caminh˜ ao 1) } , { em ( pacote 2, loja 2) } ), carregar ( pacote 2, caminh˜ ao 1, dep´ osito )= ( { em ( caminh˜ ao 1, dep´ osito ) ∧ em ( pacote 2, dep´ osito ) } { dentro ( pacote 2, caminh˜ ao 1) } , { em ( pacote 2, dep´ osito ) } )
Como foi citado anteriormente esse processo ´ e realizado para cada a¸ c˜ ao existente no problema gerando ainda as a¸ c˜ oes instanciadas:
descarregar ( pacote 1, caminh˜ ao 1, loja 1)= ( { em ( caminh˜ ao 1, loja 1) ∧ dentro ( pacote 1, caminh˜ ao 1) } , { em ( pacote 1, loja 1) } ), { dentro ( pacote 1, caminh˜ ao 1) } , descarregar ( pacote 1, caminh˜ ao 1, loja 2)= ( { em ( caminh˜ ao 1, loja 2) ∧ dentro ( pacote 1, loja 2) } , { em ( pacote 1, loja 2) } ), { dentro ( pacote 1, caminh˜ ao 1) } , descarregar ( pacote 1, caminh˜ ao 1, dep´ osito )= ( { em ( caminh˜ ao 1, dep´ osito ) ∧ dentro ( pacote 1, dep´ osito ) } , { em ( pacote 1, dep´ osito ) } ), { dentro ( pacote 1, caminh˜ ao 1) } , descarregar ( pacote 2, caminh˜ ao 1, loja 1)= ( { em ( caminh˜ ao 1, loja 1) ∧ dentro ( pacote 2, loja 1) } , { em ( pacote 2, loja 1) } ), { dentro ( pacote 2, caminh˜ ao 1) } , descarregar ( pacote 2, caminh˜ ao 1, loja 2)= ( { em ( caminh˜ ao 1, loja 2) ∧ dentro ( pacote 2, loja 2) } , { em ( pacote 2, loja 2) } ), { dentro ( pacote 2, caminh˜ ao 1) } , descarregar ( pacote 2, caminh˜ ao 1, dep´ osito )= ( { em ( caminh˜ ao 1, dep´ osito ) ∧ dentro ( pacote 2, dep´ osito ) } , { em ( pacote 2, dep´ osito ) } ), { dentro ( pacote 2, caminh˜ ao 1) } , dirigir ( caminh˜ ao , loja 1, loja 2)= ( { em ( caminh˜ ao , loja 1) } , { em ( caminh˜ ao , loja 2) } , { em ( caminh˜ ao , loja 1) } ), dirigir ( caminh˜ ao , loja 1, dep´ osito )= ( { em ( caminh˜ ao , loja 1) } , { em ( caminh˜ ao , dep´ osito ) } , { em ( caminh˜ ao , loja 1) } dirigir ( caminh˜ ao , loja 2, loja 1)=
, ),
( { em ( caminh˜ ao , loja 2) } , { em ( caminh˜ ao , loja 1) } , { em ( caminh˜ ao , loja 2) } ), dirigir ( caminh˜ ao , loja 2, dep´ osito )= ( { em ( caminh˜ ao , loja 2) } , { em ( caminh˜ ao , dep´ osito ) } , { em ( caminh˜ ao , loja 2) } ), dirigir ( caminh˜ ao , dep´ osito , loja 1)= ( { em ( caminh˜ ao , dep´ osito ) } , { em ( caminh˜ ao , loja 1) } , { em ( caminh˜ ao , dep´ osito ) } ), dirigir ( caminh˜ ao , dep´ osito , loja 2)= ( { em ( caminh˜ ao , dep´ osito ) } , { em ( caminh˜ ao , loja 2) } , { em ( caminh˜ ao , dep´ osito ) } )
´ E importante lembrar que se na defini¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes n˜ ao estivesse definido o tipo dos parˆ ametros poderiam ocorrer instancia¸ c˜ oes que representariam a¸ c˜ oes incoerentes ou imposs´ ıveis do tipo dirigir um dep´ osito de um pacote para um caminh˜ ao, ou ainda carregar um caminh˜ ao de um pacote para uma loja.
2.3 Estruturas de representa¸ c˜ ao
O pr´ oximo passo para um planejador, depois de obtido o problema a partir de uma linguagem de descri¸ c˜ ao, por exemplo PDDL , ´ e a constru¸ c˜ ao de uma representa¸ c˜ ao interna. Esta deve ser capaz de representar os estados e as a¸ c˜ oes que transformam um estado em outro.
O espa¸ co de estados ´ e a representa¸ c˜ ao ´ obvia desse conceito pois ´ e representado por um grafo onde os n´ os s˜ ao os estados e as arestas s˜ ao as transi¸ c˜ oes entre os estados, ou seja, as a¸ c˜ oes. ´ E constru´ ıdo a partir do estado inicial do problema e gerando novos estados a partir da execu¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes poss´ ıveis. Por exemplo, dado o estado inicial:
em ( caminh˜ ao , loja 2) ∧ em ( pacote 1 , loja 1)
tem-se que a a¸ c˜ ao dirigir ( caminh˜ ao , loja 2 , loja 1) ´ e v´ alida, pois a proposi¸ c˜ ao da lista pre ( o ) -em ( caminh˜ ao , loja 2) - est´ a presente no estado apresentado. O resultado da aplica¸ c˜ ao dessa a¸ c˜ ao ´ e ilustrado na figura 2.1:
Aplicando sucessivamente todas as a¸ c˜ oes permitidas torna-se teoricamente poss´ ıvel encontrar a seq¨ uˆ encia de a¸ c˜ oes que transformam o estado inicial no estado objetivo, ou seja, um plano. A grande dificuldade encontrada ´ e que na maioria dos problemas o espa¸ co
de busca gerado ´ e muito grande, sendo invi´ avel em termos de tempo de processamento ou espa¸ co de armazenamento.
Apesar de outras representa¸ c˜ oes terem sido propostas, neste trabalho analisaremos apenas o grafo de planos pois se trata da principal estrutura de representa¸ c˜ ao dos dias de hoje [BF95]. As duas pr´ oximas se¸ c˜ oes mostram esta estrutura em mais detalhes. Por quest˜ oes de apresenta¸ c˜ ao, primeiramente veremos o grafo de planos relaxado.
2.3.1 O grafo de planos relaxado
O grafo de planos relaxado ´ e formado por camadas, cada uma definida pelos n´ os pertencentes a ela. As camadas pares contˆ em os n´ os proposi¸ c˜ oes que representam cada proposi¸ c˜ ao poss´ ıvel para o problema a ser resolvido.
As camadas ´ ımpares contˆ em os n´ os a¸ c˜ oes , que s˜ ao as instˆ ancias de a¸ c˜ oes cujas pr´ econdi¸ c˜ oes s˜ ao satisfeitas pelas proposi¸ c˜ oes da camada anterior. Para facilitar a distin¸ c˜ ao entre proposi¸ c˜ oes e a¸ c˜ oes, utilizaremos c´ ırculos para representar os n´ os proposi¸ c˜ oes e retˆ angulos para representar os n´ os a¸ c˜ oes.
As arestas do grafo conectam os n´ os proposi¸ c˜ oes aos n´ os a¸ c˜ oes da camada posterior, ligando as pr´ e-condi¸ c˜ oes das a¸ c˜ oes ` as proposi¸ c˜ oes correspondentes. Da mesma forma, as arestas ligam os efeitos de a¸ c˜ oes de uma camada ` as proposi¸ c˜ oes correspondentes da camada seguinte.
O grafo apresenta ainda um car´ ater temporal representado pelas camadas de a¸ c˜ oes. Cada camada representa uma instˆ ancia de tempo na aplica¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes, assim, todas as a¸ c˜ oes presentes em uma determinada camada podem ser aplicadas simultaneamente.
Utilizaremos como exemplo o mesmo problema apresentado na se¸ c˜ ao anterior, do comerciante, mas, devido a limita¸ c˜ ao de espa¸ co, ser´ a tratado apenas o problema envolvendo duas lojas, um caminh˜ ao e um pacote. O estado inicial ´ e o pacote estar na loja 1 e o caminh˜ ao na loja 2. Observando a figura 2.2, que representa o grafo de planos relaxado do problema do comerciante representado apenas por 5 camadas, observamos que as quatro a¸ c˜ oes presentes na camada 1 s˜ ao poss´ ıveis de execu¸ c˜ ao no primeiro instante de tempo, e as oito a¸ c˜ oes da camada 3 s˜ ao poss´ ıveis de execu¸ c˜ ao no pr´ oximo instante de tempo.
Ao considerar o car´ ater temporal do grafo ´ e necess´ ario incluir uma a¸ c˜ ao de manuten¸ c˜ ao durante sua constru¸ c˜ ao. Esta a¸ c˜ ao tem uma pr´ e-condi¸ c˜ ao e um efeito que ´ e a pr´ opria pr´ econdi¸ c˜ ao, ou seja, ela mant´ em a proposi¸ c˜ ao p v´ alida tamb´ em na pr´ oxima camada. Por exemplo a a¸ c˜ ao manuten¸ c˜ ao ( pacote , loja 1) faz com que o pacote ainda esteja na loja 1 no pr´ oximo instante de tempo.
Para cada proposi¸ c˜ ao existente na camada i ´ e aplicada a referida a¸ c˜ ao de manuten¸ c˜ ao ocasionando novamente a existˆ encia dessas proposi¸ c˜ oes na camada i + 2. Esse processo garante que uma a¸ c˜ ao executada na camada i seja novamente v´ alida na pr´ oxima camada,
ou seja, no pr´ oximo instante de tempo.
O grafo de planos relaxado ´ e constru´ ıdo atrav´ es de um processo de expans˜ ao que consiste em se adicionar ao grafo uma camada de n´ os com instˆ ancias de a¸ c˜ oes que tenham suas pr´ e-condi¸ c˜ oes satisfeitas na camada anterior e inserir somente os efeitos positivos na camada posterior, o que ´ e uma caracter´ ıstica do problema de planejamento relaxado definido na se¸ c˜ ao 2.1.
Oprocedimento de constru¸ c˜ ao do grafo ´ e iniciado com a atribui¸ c˜ ao da primeira camada de proposi¸ c˜ oes, que representa o estado inicial do problema. Na primeira expans˜ ao, as a¸ c˜ oes que possuem todas as pr´ e-condi¸ c˜ oes presentes no estado inicial s˜ ao inclu´ ıdas no grafo. Ap´ os a camada de a¸ c˜ oes, uma nova camada de proposi¸ c˜ oes ´ e inclu´ ıda, esta cont´ em as proposi¸ c˜ oes de efeito positivos das a¸ c˜ oes que foram adicionadas na camada anterior.
A expans˜ ao ocorre at´ e que uma camada de proposi¸ c˜ oes contenha as proposi¸ c˜ oes do estado final desejado ou at´ e que uma camada de proposi¸ c˜ oes obtida seja idˆ entica ` a camada de proposi¸ c˜ oes anterior. A figura 2.3 mostra o grafo de planos relaxado para o problema do comerciante que tem como objetivo levar o pacote da loja 1 para a loja 2 sendo que o caminh˜ ao inicialmente est´ a na loja 2.
Pode-se observar que obtivemos um grafo com somente trˆ es camadas de a¸ c˜ oes o que sugere que o problema do comerciante poderia ser resolvido por trˆ es a¸ c˜ oes ou conjuntos de a¸ c˜ oes, se executadas em paralelo. Mas ao analisar o problema considerando as a¸ c˜ oes completamente, sem desprezar os efeitos de remo¸ c˜ ao, observa-se que essa expans˜ ao n˜ ao ´ e completa, pois ao dirigir o caminh˜ ao da loja 2 para a loja 1, n˜ ao ´ e removido a proposi¸ c˜ ao do caminh˜ ao estar na loja 2 possibilitando que, ap´ os carregado o pacote , basta descarreg´ a-lo pois o caminh˜ ao tamb´ em se encontraria na loja 2.
Ao codificarmos o problema de planejamento considerando a lista de efeitos removidos encontraremos situa¸ c˜ oes de inconsistˆ encias e conflitos, pois nem todas as a¸ c˜ oes numa camada s˜ ao vi´ aveis devido a contradi¸ c˜ oes entre suas pr´ e-condi¸ c˜ oes e efeitos.
Por exemplo, a a¸ c˜ ao dirigir ( caminh˜ ao , loja 2 , loja 1) remove a proposi¸ c˜ ao em ( caminh˜ ao , loja 2) que ´ e pr´ e-condi¸ c˜ ao para descarregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 2), caracterizando uma restri¸ c˜ ao entre estas a¸ c˜ oes: elas n˜ ao podem ser executadas na mesma camada.
Na verdade existe uma s´ erie de outras restri¸ c˜ oes entre a¸ c˜ oes e proposi¸ c˜ oes nas camadas do grafo de planos. Encontrar estas restri¸ c˜ oes n˜ ao ´ e simples. Blum e Furst definiram as chamadas rela¸ c˜ oes de exclus˜ ao m´ utua (ou mutex), que s˜ ao apresentadas a seguir.
2.3.2 O grafo de planos
O grafo de planos apresenta uma estrutura igual a do grafo de planos relaxado, diferenciando-se por n˜ ao ser mais constru´ ıdo a partir de um problema de planejamento relaxado, mas sim considerando tamb´ em os efeitos de remo¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes. Quando considerado as a¸ c˜ oes com seus efeitos de remo¸ c˜ ao, encontraremos situa¸ c˜ oes em que nem todas as a¸ c˜ oes numa camada s˜ ao execut´ aveis devido a contradi¸ c˜ oes entre suas pr´ e-condi¸ c˜ oes e efeitos.
Retomando o exemplo do comerciante, temos que a a¸ c˜ ao dirigir ( caminh˜ ao , loja 1, loja 2) remove a proposi¸ c˜ ao em ( caminh˜ ao , loja 1) que ´ e pr´ e-condi¸ c˜ ao para a execu¸ c˜ ao da a¸ c˜ ao carregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 1) indicando uma rela¸ c˜ ao de exclus˜ ao m´ utua entre as duas a¸ c˜ oes. Esta caracter´ ıstica refor¸ ca o car´ ater temporal do grafo, isto ´ e, indica que estas duas a¸ c˜ oes n˜ ao podem ser executadas ao mesmo tempo.
A rela¸ c˜ ao de exclus˜ ao m´ utua entre a¸ c˜ oes (mutex) ´ e representada por uma aresta que liga a¸ c˜ oes presentes em uma mesma camada. Esta rela¸ c˜ ao ´ e definida como segue:
Defini¸ c˜ ao: Duas instˆ ancias de a¸ c˜ oes a e b numa camada de a¸ c˜ oes i s˜ ao mutuamente exclusivas se:
- um efeito de uma a¸ c˜ ao ´ e a nega¸ c˜ ao de um dos efeitos da outra (figura 2.4);
- um efeito de uma a¸ c˜ ao ´ e a nega¸ c˜ ao de uma pr´ e-condi¸ c˜ ao de outra (figura 2.5);
- as a¸ c˜ oes a e b tˆ em pr´ e-condi¸ c˜ oes que s˜ ao mutuamente exclusivas na camada i -1 (figura 2.6). Este caso ´ e chamado de competi¸ c˜ ao de necessidades .
Figura 2.4: A a¸ c˜ ao b tem como efeito a proposi¸ c˜ ao ¬ T que ´ e a nega¸ c˜ ao de um efeito da a¸ c˜ ao a , portanto as a¸ c˜ oes a e b s˜ ao mutuamente exclusivas na camada.
A rela¸ c˜ ao de exclus˜ ao m´ utua tamb´ em ´ e definida para as proposi¸ c˜ oes. Ela indica que as proposi¸ c˜ oes assim relacionadas n˜ ao podem ser obtidas simultaneamente na mesma camada, ou seja, somente uma delas pode ser utilizada. Essa rela¸ c˜ ao ´ e apresentada tamb´ em como uma aresta que liga duas proposi¸ c˜ oes em uma mesma camada, definida como segue:
Defini¸ c˜ ao: Duas proposi¸ c˜ oes P e Q numa camada de proposi¸ c˜ oes i s˜ ao mutuamente exclusivas se todas as maneiras de obter as proposi¸ c˜ oes s˜ ao mutuamente exclusivas entre si, chamado suporte inconsistente . Ou seja, as a¸ c˜ oes da camada i -1 que tˆ em
como efeito estas proposi¸ c˜ oes s˜ ao duas a duas mutuamente exclusivas (figura 2.7).
Observa¸ c˜ ao : A defini¸ c˜ ao de rela¸ c˜ ao de exclus˜ ao m´ utua ´ e recursiva, como no terceiro caso de exclus˜ ao entre a¸ c˜ oes: 'as a¸ c˜ oes tˆ em pr´ e-condi¸ c˜ oes que s˜ ao mutuamente exclusivas na camada i -1'. Portanto uma exclus˜ ao m´ utua numa determinada camada pode ter sido gerada por a¸ c˜ oes ou proposi¸ c˜ oes de uma camada anterior. Um novo processo de expans˜ ao se faz necess´ ario e ´ e aqui que se nota a importˆ ancia das a¸ c˜ oes de manuten¸ c˜ ao.
O grafo de planos constru´ ıdo considerando as rela¸ c˜ oes de exclus˜ ao m´ utua descritas acima, apresentado na figura 2.8, possui uma representa¸ c˜ ao mais completa comparado com o grafo de planos relaxado.
O processo de expans˜ ao ´ e semelhante ao empregado no grafo de planos relaxado diferenciando-se apenas pela adi¸ c˜ ao dos efeitos de remo¸ c˜ ao e pela finaliza¸ c˜ ao que ocorre quando o estado final est´ a contido na ´ ultima camada de proposi¸ c˜ oes sem apresentar inconsistˆ encias e conflitos. Comparado com o grafo de planos relaxado, observa-se que foi necess´ ario mais uma expans˜ ao do grafo para obter as proposi¸ c˜ oes do estado final sem apresentar rela¸ c˜ ao de exclus˜ ao m´ utua nas proposi¸ c˜ oes do estado final.
Caso uma solu¸ c˜ ao n˜ ao seja encontrada, atrav´ es de algum algoritmo de busca, uma nova expans˜ ao do grafo se faz necess´ aria e um novo processo de busca ´ e ent˜ ao executado no grafo expandido. Esse processo continua at´ e que seja encontrada uma solu¸ c˜ ao, processo apresentado em detalhes na se¸ c˜ ao 2.4.1.
Como o grafo de planos representa v´ arios estados em uma mesma camada e, de forma similar, representa v´ arias a¸ c˜ oes acontecendo em uma mesma camada, torna-se uma representa¸ c˜ ao eficiente do espa¸ co de busca. Esse foi um grande incentivo para o desenvolvimento de v´ arios planejadores que utilizaram o grafo de planos como representa¸ c˜ ao do espa¸ co de busca. As se¸ c˜ oes seguintes apresentam os principais.
2.4 Planejadores baseados no grafo de planos
Nesta se¸ c˜ ao apresentaremos os principais planejadores que utilizam o grafo de planos para representar o espa¸ co de busca. Os algoritmos variam segundo a t´ ecnica utilizada, compreendendo: busca exaustiva, satisfatibilidade, programa¸ c˜ ao inteira, alcan¸ cabilidade e busca heur´ ıstica. Eles s˜ ao apresentados nas pr´ oximas se¸ c˜ oes.
2.4.1 Busca exaustiva no grafo de planos
O planejador GRAPHPLAN , apresentado por Blum e Furst [BF95], utiliza um algoritmo simples de busca exaustiva no grafo de planos gerado conforme apresentado na se¸ c˜ ao 2.3.2. Este grafo, cont´ em inicialmente todas as proposi¸ c˜ oes do estado final desejado, ou sub-metas, na sua ´ ultima camada. Ent˜ ao, ´ e executado o processo de extra¸ c˜ ao da solu¸ c˜ ao.
O objetivo da fase de extra¸ c˜ ao da solu¸ c˜ ao ´ e obter um plano que seja solu¸ c˜ ao para o problema. Esse processo utiliza-se de uma estrat´ egia de busca regressiva que consiste em, a partir de cada sub-meta m presente na camada i , encontrar uma a¸ c˜ ao a na camada i -1 que tenha m como efeito. Se a ´ e consistente , isto ´ e, n˜ ao apresenta conflitos com as outras a¸ c˜ oes escolhidas anteriormente na mesma camada, ent˜ ao passamos para a pr´ oxima sub-meta. Caso contr´ ario voltamos e escolhemos outra a¸ c˜ ao na camada i +1 ( retrocesso ).
Se ´ e encontrado um conjunto de a¸ c˜ oes consistente na camada i -1 que obtenham todas sub-metas, usamos o mesmo processo, recursivamente, para a camada i -3, considerando como sub-metas as pr´ e-condi¸ c˜ oes das a¸ c˜ oes escolhidas para a camada i -1, ou seja, as que formam a camada i -2. Sen˜ ao ´ e encontrado um conjunto de a¸ c˜ oes consistentes para a camada i -3, o GRAPHPLAN despreza as a¸ c˜ oes consideradas para a camada i -1 e escolhe outro conjunto. Caso n˜ ao seja poss´ ıvel encontrar outro conjunto de a¸ c˜ oes consistentes, o processo falha e uma nova expans˜ ao do grafo ´ e requerida. Isso indica que n˜ ao ´ e poss´ ıvel encontrar um caminho sem conflitos para alcan¸ car os objetivos, ou seja, o n´ umero de camadas existentes nesse grafo ´ e insuficiente sendo necess´ ario mais uma expans˜ ao para tentar eliminar os conflitos existentes no caminho.
Caso as duas ´ ultimas camadas ´ ımpares do grafo expandido sejam idˆ enticas, ou seja, a ´ ultima expans˜ ao n˜ ao inseriu nenhuma proposi¸ c˜ ao ou n˜ ao eliminou nenhum conflito, n˜ ao existe solu¸ c˜ ao para o problema e nenhum plano solu¸ c˜ ao poder´ a ser encontrado.
Quando a camada zero ´ e alcan¸ cada utilizando conjuntos de a¸ c˜ oes consistentes nas camadas anteriores, temos uma solu¸ c˜ ao para o problema de planejamento. Esse plano solu¸ c˜ ao ´ e formado pela uni˜ ao dos conjuntos de a¸ c˜ oes escolhidas, cuja ordem ´ e apresentada pela camada, ou seja, as a¸ c˜ oes presentes na camada 1, s˜ ao executadas antes das a¸ c˜ oes presentes na camada 3, e assim por diante.
Entre as a¸ c˜ oes que formam o plano solu¸ c˜ ao, possivelmente encontra-se a¸ c˜ oes de manuten¸ c˜ ao. Estas a¸ c˜ oes devem ser desconsideradas pois somente permitem que as proposi¸ c˜ oes
estejam tamb´ em presentes na camada seguinte, mas n˜ ao representam nenhum significado real para a solu¸ c˜ ao do problema.
Aplicando esse procedimento no grafo de planos gerado a partir do problema do comerciante (figura 2.8), temos que:
- primeiramente toma-se a ´ unica sub-meta em ( pacote , loja 2);
- ´ e encontrada a a¸ c˜ ao descarregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 2) que tem a sub-meta como efeito e como ´ e a primeira a¸ c˜ ao, n˜ ao ´ e mutex com nenhuma outra; n˜ ao tem mais nenhuma sub-meta ent˜ ao passamos para a camada anterior considerando como submeta as proposi¸ c˜ oes dentro ( pacote , caminh˜ ao ) e em ( caminh˜ ao , loja 2) que s˜ ao pr´ econdi¸ c˜ oes da a¸ c˜ ao considerada;
- escolhe-se ent˜ ao a a¸ c˜ ao carregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 2) que gera a sub-meta dentro ( pacote , caminh˜ ao );
- escolhe-se ent˜ ao a a¸ c˜ ao dirigir ( caminh˜ ao , loja 1, loja 2) que gera a sub-meta em ( caminh˜ ao , loja 2) mas esta n˜ ao pode ser considerada pois ´ e inconsistente com a primeira;
- escolhe outra a¸ c˜ ao, dirigir ( caminh˜ ao , loja 2, loja 2), mas esta tamb´ em ´ e inconsistente;
- escolhe ainda a a¸ c˜ ao manuten¸ c˜ ao ( caminh˜ ao , loja 2) mas tamb´ em ´ e inconsistente;
- assim volta a a¸ c˜ ao escolhida para a sub-meta anterior, dentro ( pacote , caminh˜ ao ), e escolhe outra a¸ c˜ ao poss´ ıvel, a a¸ c˜ ao manuten¸ c˜ ao ( pacote , caminh˜ ao );
- ent˜ ao escolhe novamente a a¸ c˜ ao dirigir ( caminh˜ ao , loja 1, loja 2) que agora ´ e consistente; se considera agora as proposi¸ c˜ oes em ( caminh˜ ao , loja 1) e dentro ( pacote , caminh˜ ao ) como as novas sub-metas;
- escolhe-se a a¸ c˜ ao carregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 1) que gera a proposi¸ c˜ ao dentro ( pacote , caminh˜ ao );
- escolhe-se a a¸ c˜ ao manuten¸ c˜ ao ( caminh˜ ao , loja 1) que gera a proposi¸ c˜ ao em ( caminh˜ ao , loja 1) e ´ e consistente; se considera ent˜ ao as proposi¸ c˜ oes em ( pacote , loja 1) e em ( caminh˜ ao , loja 1) como as sub-metas;
- escolhe-se a a¸ c˜ ao manuten¸ c˜ ao ( pacote , loja 1) que gera a proposi¸ c˜ ao em ( pacote , loja 1);
- escolhe-se a a¸ c˜ ao dirigir ( caminh˜ ao , loja 2, loja 1) que gera a proposi¸ c˜ ao em ( caminh˜ ao , loja 1) e ´ e consistente;
- chega-se a camada inicial (0) indicando que foi encontrado um plano solu¸ c˜ ao para este problema.
O pr´ oximo processo ´ e a extra¸ c˜ ao do plano solu¸ c˜ ao, que nada mais ´ e que a ordena¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes escolhidas de forma inversa ` a encontrada durante a busca, ou seja, da ´ ultima a¸ c˜ ao escolhida at´ e a primeira. As camadas indicam a ordem que estas a¸ c˜ oes devem ser executadas. Como j´ a foi informado, a¸ c˜ oes em uma mesma camada podem ser executadas em paralelo.
Assim, o plano solu¸ c˜ ao para o problema do comerciante ´ e definido como:
- Camada 1: dirigir ( caminh˜ ao , loja 2, loja 1), manuten¸ c˜ ao ( pacote , loja 1);
- Camada 3: carregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 1), manuten¸ c˜ ao ( caminh˜ ao , loja 1);
- Camada 5: dirigir ( caminh˜ ao , loja 2, loja 1), manuten¸ c˜ ao ( pacote , caminh˜ ao );
- Camada 7: descarregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 2);
Como as a¸ c˜ oes de manuten¸ c˜ ao s˜ ao necess´ arias somente para a representa¸ c˜ ao, o pr´ oximo passo ´ e elimin´ a-las, obtendo-se um plano solu¸ c˜ ao:
P s = < dirigir ( caminh˜ ao , loja 2, loja 1), carregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 1), dirigir ( caminh˜ ao , loja 2, loja 1), descarregar ( pacote , caminh˜ ao , loja 2) >
A figura 2.9 mostra o grafo de planos para o problema do comerciante com os n´ os que fazem parte da solu¸ c˜ ao marcados, tanto das a¸ c˜ oes que formam o plano quanto as proposi¸ c˜ oes utilizadas.
Os autores do GRAPHPLAN , em [BF95], apresentam alguns resultados comparativos com mais trˆ es planejadores da ´ epoca, dois planejadores de ordem total: PRODIGY [CBE + 92] e PRODIGY-SABA [CBE + 92] e um planejador de ordem parcial, UCPOP [PW92]. A figura 2.10, apresenta os resultados obtidos para problemas do dom´ ınio do foguete ( rocket ) que consiste em distribuir n caixas em trˆ es localidades utilizando dois foguetes.
Devido ao fado do GRAPHPLAN ser implementado em C e os outros trˆ es em LISP, os testes foram realizados em m´ aquinas diferentes para compensar a lentid˜ ao do LISP. O PRODIGY e o UCPOP foram executados em m´ aquinas mais r´ apidas e com mais mem´ oria objetivando compensar a diferen¸ ca de implementa¸ c˜ ao.
O GRAPHPLAN apresentou excelentes resultados mesmo com a diferen¸ ca entre as m´ aquinas, embora essa diferen¸ ca dificilmente supra as diferentes caracter´ ısticas da linguagem, estrutura e implementa¸ c˜ ao dos planejadores citados.
Mesmo apresentando bons resultados, o GRAPHPLAN apresenta limita¸ c˜ oes em problemas maiores pois sua estrutura de implementa¸ c˜ ao requer mais mem´ oria que o dispon´ ıvel para armazenar o problema, impossibilitando-o que resolva problemas complexos. O m´ etodo exaustivo na fase de extra¸ c˜ ao da solu¸ c˜ ao gera problemas semelhantes aos encontrados nos primeiros planejadores tamb´ em inviabilizando-o para v´ arios problemas.
Tendo esse cen´ ario que foi utilizado para testes do GRAPHPLAN , apresentando a diferen¸ ca de hardware para compensar a diferen¸ ca das caracter´ ısticas de implementa¸ c˜ ao, surgem alguns questionamentos: como avaliar e quantificar a rapidez de uma linguagem? A diferen¸ ca que foi dada ´ e o suficiente? E a diferen¸ ca da estrutura implementada para a representa¸ c˜ ao do problema? Rapidez ´ e a ´ unica caracter´ ıstica que deve ser considerada quando se analisa planejadores?
Um fato importante e que aqui deve ser citado ´ e a grande diferen¸ ca apresentada pelos planejadores IPP [KNHD97] e STAN [LF99] que s˜ ao as duas principais implementa¸ c˜ oes do GRAPHPLAN . O IPP apresenta a remo¸ c˜ ao de a¸ c˜ oes e proposi¸ c˜ oes irrelevantes e a agenda de gerenciamento dos objetivos enquanto o STAN implementa a constru¸ c˜ ao do grafo utilizando opera¸ c˜ oes l´ ogicas bin´ arias em vetores bin´ arios. Eles s˜ ao um exemplo de como caracter´ ısticas de implementa¸ c˜ ao influenciam no desempenho do planejador e por isso n˜ ao podem ser desconsideradas.
2.4.2 Grafo de planos como pr´ e-processamento
Gra¸ cas ` a otimiza¸ c˜ ao da estrutura utilizada para representa¸ c˜ ao do espa¸ co de busca, a constru¸ c˜ ao do grafo de planos pode ser vista como uma fase de pr´ e-processamento para procedimentos de busca alternativos ` a busca exaustiva empregada no GRAPHPLAN original. Nesta se¸ c˜ ao mostraremos duas t´ ecnicas: tradu¸ c˜ ao para satisfatibilidade e tradu¸ c˜ ao para redes de Petri.
Satisfatibilidade a partir do grafo de planos
O planejador BLACKBOX foi proposto por Kautz e Selman [KS99] em 1998. Os autores tiveram a id´ eia de unir a eficiˆ encia dos algoritmos para satisfatibilidade, apresentados no SATPLAN [KS92] com o grafo de planos (se¸ c˜ ao 2.3.2) que, como vimos, otimiza a representa¸ c˜ ao do espa¸ co de busca.
O SATPLAN resume-se em um processo que, a partir de um problema de planejamento descrito em PDDL (se¸ c˜ ao 2.2), gera um problema de satisfatibilidade (SAT) que ´ e ent˜ ao resolvido atrav´ es de algum m´ etodo conhecido. Esses m´ etodos buscam por uma atribui¸ c˜ ao de valores que resulte na satisfatibilidade da f´ ormula em Forma Normal Conjuntiva, por exemplo: Walksat [SKC94], SatZ, SatZ-Rand [LA97] ou Rel sat [BS97]. O BLACKBOX se diferencia do SATPLAN pois obt´ em a instˆ ancia SAT a partir do grafo de planos.
Uma f´ ormula ou instˆ ancia SAT, ´ e um conjunto de restri¸ c˜ oes, ou literais, que assumem o valor verdadeiro ou falso. Ao tratarmos planejamento como satisfatibilidade, um plano corresponde a um assinalamento verdade para um conjunto de restri¸ c˜ oes que representam o estado inicial, o estado final e os axiomas do dom´ ınio.
Como um problema de planejamento tem uma componente temporal inerente, pois um plano ´ e uma seq¨ uˆ encia cronol´ ogica de a¸ c˜ oes, e o problema de satisfatibilidade ´ e um problema est´ atico de valora¸ c˜ ao, o tempo consiste de um n´ umero fixo e discreto de instˆ ancias.
Uma proposi¸ c˜ ao corresponde a um literal variante do tempo pertencente a um instante particular (ex.: limpo ( m ˜ aos, 0), indica que as m˜ aos est˜ ao limpas no instante 0), ou a uma a¸ c˜ ao que ocorre no instante especificado e finaliza no instante seguinte (ex.: cozinhar ( jantar, 1), indica que ocorre a a¸ c˜ ao cozinhar no instante 1).
Restri¸ c˜ oes sobre proposi¸ c˜ oes e a¸ c˜ oes s˜ ao escritas como esquemas , que s˜ ao instanciados pelos objetos e pelas instˆ ancias de tempo definidos em um problema particular. O tamanho m´ aximo de um plano ´ e ent˜ ao fixado no tempo m´ aximo instanciado; se esta quantidade n˜ ao ´ e conhecida, ´ e executada uma busca bin´ aria nas instancia¸ c˜ oes de v´ arios tamanhos, at´ e encontrar a menor instˆ ancia em que a solu¸ c˜ ao ´ e encontrada.
A instˆ ancia encontrada ´ e resolvida por algum m´ etodo SAT conhecido, que geralmente apresenta-se mais eficiente comparado com m´ etodos de prova de teorema. Mas como as instˆ ancias geradas a partir do espa¸ co de estados eram grandes, utilizou-se o grafo de planos para reduzir o tamanho das instˆ ancias. Outra otimiza¸ c˜ ao foi a utiliza¸ c˜ ao do n´ umero de camadas do grafo como tamanho inicial para as instˆ ancias, valor este necess´ ario para a constru¸ c˜ ao das instˆ ancias.
O algoritmo do BLACKBOX ´ e definido por trˆ es fases:
- Um problema de planejamento ´ e representado como um grafo de planos;
- O grafo de planos ´ e convertido em uma instˆ ancia SAT;
- A instˆ ancia SAT ´ e resolvida por qualquer um dos m´ etodos para SAT;
Uma vez j´ a apresentado o grafo de planos (se¸ c˜ ao 2.3.2) descreveremos o m´ etodo de convers˜ ao em uma instˆ ancia SAT proposto em 1996 por Kautz e Selman [KS96]. Essa convers˜ ao inicia na ´ ultima camada do grafo e termina na primeira camada. Usaremos o problema do foguete ( rocket ) apresentado por Blum e Furst [BF95] como um exemplo.
Esse problema consiste em utilizar um robˆ o para levar pe¸ cas de um lugar para outro. Possui trˆ es a¸ c˜ oes: carregar , que carrega o robˆ o com alguma pe¸ ca; descarregar , que descarrega a pe¸ ca; e mover , que desloca o robˆ o de uma localiza¸ c˜ ao para outra. Existem: um robˆ o R , duas pe¸ cas A e B , uma localiza¸ c˜ ao inicial L e um destino P . Assim ' carregar ( A, R, L, i )' significa 'carregue A em R na localiza¸ c˜ ao L no tempo i ', e ' mover ( R, L, P, i )' significa 'mova R de L para P no tempo i '.
O processo de convers˜ ao do grafo de planos em SAT ´ e descrito como segue:
- O estado inicial pertence a camada 1 e o estado final pertence a camada com maior valor;
- Cada proposi¸ c˜ ao P da camada de proposi¸ c˜ ao i implica na disjun¸ c˜ ao de todos as a¸ c˜ oes na camada i -1 que tem P como um efeito de adi¸ c˜ ao, por exemplo:
- A¸ c˜ oes implicam em suas pr´ e-condi¸ c˜ oes, por exemplo:
- A¸ c˜ oes conflitantes (mutex) s˜ ao mutuamente exclusivas, por exemplo:
A partir da instˆ ancia gerada pela compila¸ c˜ ao para SAT, um processo de simplifica¸ c˜ ao ´ e aplicado ` a f´ ormula final obtida, com o objetivo de reduzi-la.
Aplicando a regra dos 'axiomas de persistˆ encia' [Haa87] nos axiomas gerados a partir do (2) com os axiomas gerados a partir do (3) que apresentam a¸ c˜ oes de manuten¸ c˜ ao possibilita uma redu¸ c˜ ao significativa nas instˆ ancias. Por exemplo, resolvendo o axioma:
com o axioma:
formamos o axioma de persistˆ encia:
Segundo a teoria proposicional, qualquer vari´ avel pode ser eliminada atrav´ es da execu¸ c˜ ao de todas resolu¸ c˜ oes poss´ ıveis sobre aquela vari´ avel e removendo todas as cl´ ausulas contendo essa vari´ avel. Assim, qualquer subconjunto de literais, se representam a¸ c˜ oes ou proposi¸ c˜ oes, podem em princ´ ıpio ser eliminadas.
Em geral o processo de resolu¸ c˜ ao obt´ em um aumento exponencial no tamanho da instˆ ancia, mas para a codifica¸ c˜ ao baseada no grafo de planos a elimina¸ c˜ ao das proposi¸ c˜ oes ocasiona somente um aumento polinomial neste tamanho. Por isso ´ e executado o processamento de elimina¸ c˜ ao das proposi¸ c˜ oes, permanecendo apenas as a¸ c˜ oes.
O processo ocorre da seguinte forma:
- Dadas as proposi¸ c˜ oes:
- Os axiomas das a¸ c˜ oes:
- E os axiomas das proposi¸ c˜ oes:
- Obt´ em-se:
Ap´ os a redu¸ c˜ ao, a f´ ormula ´ e ent˜ ao passada como entrada para um algoritmo que resolve o problema de satisfatibilidade. O algoritmo resolvedor busca, por uma atribui¸ c˜ ao de valores aos literais, a satisfatibilidade da f´ ormula. Se a f´ ormula ´ e satisfat´ ıvel, esta valora¸ c˜ ao ´ e traduzida usando a tabela de s´ ımbolos do compilador para um plano solu¸ c˜ ao.
Kautz e Selman apresentam alguns resultados comparativos entre o BLACKBOX , SATPLAN , GRAPHPLAN e IPP [KNHD97] (figura 2.11).
Podemos observar claramente que o BLACKBOX utilizando o SatZ-Rand apresentou os melhores resultados em todos os problemas apresentados, uma vez que o SATPLAN deve ser considerado em todos os valores o processo de cria¸ c˜ ao das instˆ ancias. Mas o BLACKBOX apresenta o mesmo problema que o GRAPHPLAN , o crescimento exponencial do grafo de planos limitando sua execu¸ c˜ ao para alguns problemas. Outra caracter´ ıstica interessante de se observar ´ e que a compara¸ c˜ ao ´ e feita apenas nos dom´ ınios do foguete ( rocket ) e log´ ıstica e que n˜ ao comparam com outros planejadores tais como UCPOP .
| problem | par- | Blackbox | Graphplan | IPP | SATPLAN | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| allel time | wallksat | satz | satz- rand | create | wallksat | satz | rand | |||
| roclet.a | 7 | 3.2sec | 5sec | 5sec | 3.4min 8.8min | 28sec | 42sec | 0.02 sec | 0.3sec | 2sec |
| roclket.b | 7 | 2.5sec | 10sec | 5sec | 55sec | 41sec | 0.04sec | 0.3sec | 1sec | |
| log.a | 11 | 7.4sec | 5sec | 5sec | 31.5min | 1hour | 1.2min | 2sec | 1.7min | 4sec |
| log.b | 13 | 1.7min | 7sec | 7sec | 12.7min | 2.5hour | 1.3min | 3sec | 0.6sec | 7sec |
| log.c | 13 | 14.9min | 9sec | 9sec | 1.7min | 2sec | 4sec | 0.8sec | ||
| log.d | 14 | 52sec | 28sec | 3.5min | 7sec | 1.8hour | 1.6min | |||
Alcan¸ cabilidade a partir do grafo de planos
O planejador PETRIPLAN [SCK00] segue uma estrutura semelhante ` a apresentada pelo BLACKBOX , ainda utilizando o grafo de planos como representa¸ c˜ ao do espa¸ co de busca, mas substituindo a codifica¸ c˜ ao deste para um problema SAT por uma codifica¸ c˜ ao do problema de planejamento como um problema de alcan¸ cabilidade de sub-marca¸ c˜ ao em uma rede de Petri [Mur89]. Redes de Petri s˜ ao comumente utilizadas para representar paralelismo, concorrˆ encia, conflito e rela¸ c˜ oes causais em sistemas dinˆ amicos de eventos discretos. A id´ eia dos autores ´ e poder integrar estas no¸ c˜ oes no planejador.
O PETRIPLAN ´ e um algoritmo definido por trˆ es fases:
- Um problema de planejamento ´ e codificado em um grafo de planos;
- O grafo de planos ´ e convertido para uma rede de Petri;
- O problema de alcan¸ cabilidade em uma rede de Petri ´ e resolvido utilizando sistemas espec´ ıficos para programa¸ c˜ ao inteira.
Se nenhuma solu¸ c˜ ao for encontrada para o problema de programa¸ c˜ ao inteira na terceira fase, o algoritmo volta para a primeira fase e uma nova expans˜ ao do grafo ´ e realizada. Este la¸ co continua at´ e que uma solu¸ c˜ ao seja encontrada na fase 3 ou at´ e que o grafo de planos n˜ ao possa ser mais expandido. Quando uma solu¸ c˜ ao ´ e encontrada na fase 3 ela ´ e convertida para um plano que resolve o problema original de planejamento.
Como vimos anteriormente, o grafo de planos ´ e um grafo ordenado formado por camadas alternadas de proposi¸ c˜ oes e a¸ c˜ oes, ambas indexadas por valor ´ unico que pode ser interpretado como uma instˆ ancia de tempo. Os arcos partem de cada proposi¸ c˜ ao at´ e as a¸ c˜ oes da pr´ oxima camada que a determinada proposi¸ c˜ ao como uma pr´ e-condi¸ c˜ ao, e similarmente parte de cada a¸ c˜ ao at´ e seus efeitos presentes na pr´ oxima camada. Tem-se ainda as a¸ c˜ oes de manuten¸ c˜ ao que simplesmente tem uma proposi¸ c˜ ao tanto como pr´ e-condi¸ c˜ ao como efeito.
Uma rede de Petri ´ e tamb´ em representada por um grafo, onde c´ ırculos representam lugares, barras verticais representam transi¸ c˜ oes e os arcos orientados representam fun¸ c˜ oes
de incidˆ encia de entrada e sa´ ıda de uma transi¸ c˜ ao. Pequenos c´ ırculos pretos no interior dos lugares, chamados de marcas, representam a marca¸ c˜ ao da rede. Os lugares descrevem estados e as transi¸ c˜ oes s˜ ao respons´ aveis pelas mudan¸ cas de estado, elas removem e inserem marcas nos lugares.
Assim a figura 2.12(a) representa trˆ es lugares ( a , b e c ), duas transi¸ c˜ oes ( x e y ), cinco arcos, uma marca no lugar a e duas no lugar b . Ao dispararmos a transi¸ c˜ ao x da rede representada pela figura 2.12(a) obtemos a marca¸ c˜ ao resultante na figura 2.12(b).
O problema de alcan¸ cabilidade para redes de Petri ´ e definido como sendo o de encontrar uma seq¨ uˆ encia de transi¸ c˜ oes dispar´ aveis para alcan¸ car uma marca¸ c˜ ao objetivo a partir de uma marca¸ c˜ ao inicial. O problema de alcan¸ cabilidade de sub-marca¸ c˜ ao consiste em encontrar uma seq¨ uˆ encia de transi¸ c˜ oes dispar´ aveis para alcan¸ car um subconjunto de lugares marcados presentes na marca¸ c˜ ao objetivo.
A codifica¸ c˜ ao de um grafo de planos em uma rede de Petri ´ e um processo direto de convers˜ ao das estruturas do grafo de planos em estruturas equivalentes na rede de Petri. A seguir apresentamos estas tradu¸ c˜ oes:
N´ os a¸ c˜ ao: um n´ o a¸ c˜ ao do grafo ´ e traduzido em uma ´ unica transi¸ c˜ ao na rede de Petri, a figura 2.13 mostra ` a esquerda o n´ o do grafo e ` a direita a transi¸ c˜ ao correspondente.
N´ os proposi¸ c˜ ao: um n´ o proposi¸ c˜ ao ´ e traduzido em um lugar e uma transi¸ c˜ ao, com um arco do lugar para a transi¸ c˜ ao. A figura 2.14 mostra esta tradu¸ c˜ ao.
Arestas efeito: uma aresta efeito ´ e traduzida em um arco que vai da transi¸ c˜ ao que representa o n´ o a¸ c˜ ao para o lugar representando o n´ o proposi¸ c˜ ao. A figura 2.15 mostra esta tradu¸ c˜ ao.
Arestas pr´ e-condi¸ c˜ ao: uma aresta pr´ e-condi¸ c˜ ao ´ e traduzida em um lugar com dois arcos: um vindo da transi¸ c˜ ao que representa o n´ o proposi¸ c˜ ao e outro que vai para a transi¸ c˜ ao representando o n´ o a¸ c˜ ao. A figura 2.16 mostra esta tradu¸ c˜ ao.
Exclus˜ ao m´ utua: a rela¸ c˜ ao bin´ aria de exclus˜ ao m´ utua ´ e traduzida em um lugar com dois arcos saindo, um para cada transi¸ c˜ ao que representa cada n´ o a¸ c˜ ao da rela¸ c˜ ao, e uma marca neste lugar. A figura 2.17 mostra esta tradu¸ c˜ ao.
As rela¸ c˜ oes de exclus˜ ao m´ utua entre proposi¸ c˜ oes n˜ ao s˜ ao representadas na rede, pois, estas s˜ ao utilizadas somente durante a constru¸ c˜ ao do grafo de planos para determinar as exclus˜ oes m´ utuas entre as a¸ c˜ oes do grafo.
O estado inicial do problema de planejamento ´ e representado por marcas adicionadas em cada lugar que representa a camada zero do grafo de planos. As marcas nos lugares do estado inicial e as marcas nos lugares que controlam as rela¸ c˜ oes de exclus˜ ao m´ utua definem a marca¸ c˜ ao inicial da rede.
Devido a amplitude do grafo de planos gerado para o problema do comerciante, utilizaremos aqui o problema do jantar [Wel99] para detalhar o funcionamento do algoritmo. Esse problema consiste de se preparar um jantar e embrulhar um presente, mas em silˆ encio, para n˜ ao chamar aten¸ c˜ ao de quem est´ a no segundo andar da casa. Tem-se a sua disposi¸ c˜ ao
as a¸ c˜ oes 'cozinhar', que requer as m˜ aos limpas e obt´ em o jantar mas remove o silˆ encio, e 'embrulhar', que requer silˆ encio e obt´ em o presente embrulhado. O estado inicial ´ e ter as m˜ aos limpas e estar em silˆ encio. A figura 2.18 mostra o grafo de planos para este problema.
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Figura 2.18: O grafo de planos para o problema do jantar.
A figura 2.19 mostra a rede de Petri obtida pela tradu¸ c˜ ao do problema do jantar apresentado na figura 2.18.
O estado final do problema de planejamento ´ e representado pela sub-marca¸ c˜ ao da rede que cont´ em marcas nos lugares que representam os n´ os proposi¸ c˜ oes do estado final. A figura 2.20 mostra uma rede de Petri com uma marca¸ c˜ ao que cont´ em o estado final para o problema do jantar.
Para resolver o problema de alcan¸ cabilidade de sub-marca¸ c˜ ao, como se conhece apenas o subconjunto de lugares que representam as proposi¸ c˜ oes do estado final desejado, deve-se encontrar a seq¨ uˆ encia de transi¸ c˜ oes que sai dos lugares que representam o estado inicial e
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chegam aos lugares que representam o estado objetivo. Considerando apenas as transi¸ c˜ oes que representam a¸ c˜ oes nesta seq¨ uˆ encia, temos um plano solu¸ c˜ ao para problema original.
Os autores do PETRIPLAN apresentam alguns resultados comparativos entre o PETRIPLAN , BLACKBOX , HSP [BG98], IPP [KNHD97] e STAN [LF99]. Estes resultados
s˜ ao apresentados nas tabelas 2.1 e 2.2 e mostram o n´ umero de problemas resolvidos por cada planejador e o tempo m´ edio gasto por problema.
| Dom´ ınio | PETRIPLAN | BLACKBOX | HSP | IPP | STAN | Problemas |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Gripper-1 | 2 | 2 | 11 | 4 | 4 | 20 |
| Logistics-1 | 1 | 3 | 4 | 5 | 2 | 30 |
| Mystery-1 | 4 | 13 | 16 | 13 | 14 | 30 |
| Mprime-1 | 0 | 15 | 23 | 16 | 8 | 30 |
| Logistics-2 | 2 | 3 | 5 | 4 | 3 | 5 |
| Mprime-2 | 0 | 4 | 4 | 4 | 4 | 5 |
| Grid-2 | 0 | 1 | 0 | 3 | 1 | 5 |
| Total | 9 | 41 | 63 | 49 | 36 | 125 |
| Dom´ ınio | PETRIPLAN | BLACKBOX | HSP | IPP | STAN |
|---|---|---|---|---|---|
| Gripper-1 | 1353707,00 | 4140,50 | 2126,36 | 37675,00 | 789313,25 |
| Logistics-1 | 4189902,00 | 4573,67 | 12171,00 | 716734,00 | 25272,50 |
| Mystery-1 | 3835687,00 | 2084,61 | 12078,19 | 8077,69 | 762,93 |
| Mprime-1 | x | 2538,40 | 118732,87 | 22396,87 | 1398,50 |
| Logistics-2 | 3480784,00 | 529,67 | 10036,60 | 17438,25 | 9037,33 |
| Mprime-2 | x | 1263,25 | 1767,50 | 6532,25 | 5205,50 |
| Grid-2 | x | 11035,00 | x | 32064,33 | 3666,00 |
| Total | 2392250,00 | 2557,44 | 48467,21 | 66964,63 | 121939,03 |
Podemos observar que o PETRIPLAN apresentou um tempo maior para os problemas que resolveu, e ainda n˜ ao conseguiu resolver v´ arios. Mas esse fato foi justificado devido a implementa¸ c˜ ao deste ser utilizando uma biblioteca de resolu¸ c˜ ao de PI n˜ ao eficiente. Apesar do baixo desempenho, os resultados obtidos mostram que o algoritmo resolve corretamente os problemas, mas limitado principalmente por problemas na implementa¸ c˜ ao.
O PETRIPLAN apresenta algumas deficiˆ encias sobre implementa¸ c˜ ao que podem ser exploradas como a substitui¸ c˜ ao da biblioteca de PI, explorar varia¸ c˜ oes na tradu¸ c˜ ao para redes de Petri e usar outras t´ ecnicas para resolver o problema de alcan¸ cabilidade.
Observamos novamente a dificuldade em se comparar os planejadores pois s˜ ao analisados somente os resultados finais n˜ ao apresentando as caracter´ ısticas de cada processo. Assim, pode-se questionar algumas informa¸ c˜ oes importantes para a an´ alise, como: os problemas que n˜ ao foram resolvidos pelo PETRIPLAN apresentaram quais deficiˆ encias? Quais as particularidades do planejador que o inviabilizaram para esses problemas?
2.4.3 Busca heur´ ıstica com base no grafo de planos
O planejador Fast-Forward ( FF ), foi desenvolvido por J¨ org Hoffmann e Bernhard Nebel [HN01] e ´ e baseado em dois planejadores: o GRAPHPLAN [BF95] e o HSP [BG98]. Do GRAPHPLAN foi utilizado sua representa¸ c˜ ao, o grafo de planos (se¸ c˜ ao 2.3.2) e do HSP foi utilizado seu procedimento de busca heur´ ıstica.
O FF realiza uma busca progressiva no espa¸ co de estados, utilizando uma fun¸ c˜ ao heur´ ıstica que estima as distˆ ancias para o estado final pelo comprimento de uma solu¸ c˜ ao aproximada para um problema de planejamento relaxada. O FF diferencia-se do HSP por possuir uma nova estrat´ egia de busca local baseada em uma fun¸ c˜ ao heur´ ıstica mais sofisticada, e duas otimiza¸ c˜ oes.
O m´ etodo de busca empregado pelo FF ´ e o subida de encosta refor¸ cado , que combina busca local com sistem´ atica pois utiliza o grafo de planos relaxado, se¸ c˜ ao 2.3.1, como fun¸ c˜ ao heur´ ıstica para guiar a busca local.
As t´ ecnicas de otimiza¸ c˜ oes compreendem: a identifica¸ c˜ ao de um conjunto de a¸ c˜ oes sucessoras mais promissoras para cada n´ o de busca, e outra que elimina ramifica¸ c˜ oes onde os objetivos s˜ ao atingidos muito rapidamente.
O sistema FF funciona da seguinte maneira:
- Aplica-se o algoritmo subida de encosta refor¸ cado at´ e que o objetivo seja alcan¸ cado ou que este algoritmo falhe;
- Se o algoritmo falhou, despreze tudo o que foi feito e resolva o problema utilizando um algoritmo de busca heur´ ıstica completo ( Best-first ).
A descri¸ c˜ ao do m´ etodo subida de encosta refor¸ cado ´ e definida como: partindo de um estado S , avalie todos os seus sucessores diretos S � . Se nenhum dos sucessores tem uma heur´ ıstica melhor que S , procure pelos sucessores dos sucessores e assim sucessivamente at´ e encontrar um estado S � com uma heur´ ıstica melhor do que S . Ent˜ ao o caminho at´ e S � ´ e adicionado ao plano corrente, e a busca continua com S � como o novo estado inicial S at´ e encontrar o estado final, h ( S ) = 0. Se nenhum estado S � foi encontrado, ent˜ ao o m´ etodo falha .
A fun¸ c˜ ao heur´ ıstica h ( S ) utilizada pelo FF ´ e obtida atrav´ es do grafo de planos relaxado, onde todas as a¸ c˜ oes n˜ ao possuem a lista de efeitos de remo¸ c˜ ao (apresentado em mais detalhas na se¸ c˜ ao 2.3.2). O plano extra´ ıdo do grafo de planos relaxado com m camadas ´ e formado pelo conjunto de a¸ c˜ oes O i selecionadas na camada i , portanto o plano resultante ´ e � O 0 , ..., O m -1 � . A fun¸ c˜ ao heur´ ıstica do FF ´ e estimada a partir do comprimento da lineariza¸ c˜ ao desse plano:
Como vimos anteriormente o FF utiliza algumas t´ ecnicas de otimiza¸ c˜ ao, obtidas atrav´ es do plano relaxado que o FF extrai a partir da busca realizada para cada estado. Com a busca pode-se identificar os sucessores mais promissores e detectar a informa¸ c˜ ao de ordena¸ c˜ ao dos objetivos.
A primeira t´ ecnica de otimiza¸ c˜ ao, a identifica¸ c˜ ao de um conjunto de a¸ c˜ oes sucessoras mais promissoras H ( S ) para um estado S , ´ e definida pelo conjunto das a¸ c˜ oes que adicionam pelo menos um objetivo na primeira expans˜ ao do grafo de planos relaxado G 1 :
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Assim, a escolha da uma a¸ c˜ ao ´ e sempre aquela que tiver o menor n´ umero de pr´ econdi¸ c˜ oes.
O m´ etodo para eliminar ramifica¸ c˜ oes que alcancem objetivos antecipadamente, a segunda t´ ecnica de otimiza¸ c˜ ao, consiste de: se um plano relaxado P , gerado a partir de S , cont´ em uma a¸ c˜ ao o , o ∈ P , que remove o objetivo G ( G ∈ del ( o ) na vers˜ ao n˜ ao relaxada de o ), ent˜ ao remove-se S do espa¸ co de busca, ou seja, eliminamos a ramifica¸ c˜ ao partindo de S .
A figura 2.21 apresenta os resultados obtidos por v´ arios planejadores na competi¸ c˜ ao de 2000 [Bac00] resolvendo problemas do dom´ ınio de log´ ıstica. Este ´ e um problema cl´ assico que envolve o transporte de pacotes entre cidades utilizando caminh˜ oes e avi˜ oes.
A figura 2.22 apresenta os resultados obtidos resolvendo problemas do dom´ ınio mundo de blocos. Este tamb´ em ´ e um problema cl´ assico cujo planejador precisa reorganizar um conjunto de blocos em uma posi¸ c˜ ao espec´ ıfica usando bra¸ cos de um robˆ o.
Nestes dois grupos de testes apresentados podemos fazer algumas observa¸ c˜ oes impor-
tantes. Mesmo utilizando uma varia¸ c˜ ao da estrat´ egia de busca local subida de encosta , o FF ainda apresenta alguns problemas em dom´ ınios semelhantes ao mundo de blocos, uma vez que neste dom´ ınio os algoritmos de busca locais caem em m´ ınimos locais. Em outros dom´ ınios, como ´ e o caso do log´ ıstica, o FF apresenta os melhores resultados, tanto relacionado ao tempo gasto quanto ao n´ umero de problemas solucionados.
Novamente observamos a dificuldade em se comparar os planejadores pois n˜ ao s˜ ao mais apresentados resultados dos dom´ ınios apresentados por outros planejadores, somente s˜ ao apresentados os dom´ ınios nos quais este planejador apresenta resultados satisfat´ orios. Al´ em de desconsiderar as diferen¸ cas de implementa¸ c˜ oes.
2.5 As competi¸ c˜ oes de planejadores
Devido ao grande n´ umero de planejadores existentes e a diversidade de implementa¸ c˜ oes e metodologias, foi criada a Competi¸ c˜ ao de Planejadores como um meio de se comparar os planejadores. A competi¸ c˜ ao ´ e um evento bienal que acontece na AIPS International Conference on Artificial Intelligence Planning Systems e teve in´ ıcio em 1998. Tem o objetivo de promover o desenvolvimento de sistemas de planejamento avan¸ cados e incentivar a pesquisa competitiva.
Os planejadores s˜ ao avaliados atrav´ es de somente trˆ es crit´ erios: n´ umero de problemas resolvidos, tempo total usado, e do comprimento total do plano solu¸ c˜ ao. Crit´ erios que n˜ ao consideram outros fatores que influenciam no desempenho de um sistema, como por exemplo a estrutura de dados e a linguagem em que est´ a implementado.
Os problemas propostos s˜ ao especificados em PDDL (se¸ c˜ ao 2.2), e buscam explorar de forma bastante abrangente as caracter´ ısticas dos planejadores, indo deste problemas
simples, resolvidos rapidamente, at´ e problemas complexos resultando na maioria das vezes em explos˜ oes combinatoriais.
A primeira competi¸ c˜ ao, realizada em 1998, foi dividida em duas categorias: uma para planejadores que suportavam apenas caracter´ ısticas descritas pela linguagem STRIPS e outra para os que suportam as caracter´ ısticas descritas pela linguagem ADL [Ped89], que estende a primeira para efeitos condicionais e quantificadores.
Essa competi¸ c˜ ao teve a participa¸ c˜ ao dos seguintes planejadores: BLACKBOX [KS99], HSP [BG98], IPP [KNHD97] e STAN [LF99]. Estes planejadores foram comparados a partir de duas baterias de problemas: a primeira composta por 140 problemas em 5 dom´ ınios diferentes e a segunda com 15 problemas em 3 dom´ ınios diferentes, com o objetivo de refinar os resultados da primeira.
Em 2000 aconteceu a segunda competi¸ c˜ ao que j´ a contou com a participa¸ c˜ ao de quinze planejadores. Entre eles estavam o BLACKBOX , o HSP2 (nova vers˜ ao do HSP) e o R , que ´ e uma reimplenta¸ c˜ ao do STRIPS original. Os planejadores STAN , HSP2 , MIPS e R , obtiveram bons resultados, mas o melhor foi o FF , proposto por Hoffman e Nebel [HN01], que utiliza o grafo de planos juntamente com busca heur´ ıstica.
Na competi¸ c˜ ao de 2002 foi apresentado uma nova vers˜ ao da linguagem PDDL denominada PDDL 2.1. Adicionaram na vers˜ ao anterior o planejamento com incerteza e temporal, aumentando significativamente a complexidade dos oito dom´ ınios envolvidos. Essa competi¸ c˜ ao contou com a participa¸ c˜ ao de quatorze competidores e obteve a vit´ oria geral do planejador LPG .
Na ´ ultima competi¸ c˜ ao, realizada em 2004, foi tamb´ em apresentada uma nova vers˜ ao da linguagem PDDL , agora nomeada PDDL 2.2, que possibilitou a descri¸ c˜ ao de predicados derivados e eventos condicionais iniciais. Contou com a participa¸ c˜ ao de vinte competidores resolvendo problemas de sete dom´ ınios. Novamente foi referenciada a dificuldade em se declarar um ganhador fazendo-se necess´ ario um agrupamento dos planejadores segundo seus desempenhos. Al´ em disso os organizadores enfatizaram para que n˜ ao fossem analisados somente a classifica¸ c˜ ao por eles definida, mas que fossem observados os resultados obtidos pelos planejadores juntamente com a descri¸ c˜ ao dos dom´ ınios e as t´ ecnicas utilizadas por eles. O Fast Downward , desenvolvido por Malte Helmert e Silvia Richter, foi o planejador citado como vencedor no planejamento cl´ assico [EHLY04].
Ainda nessa competi¸ c˜ ao foi reafirmada a dificuldade em se comparar os planejadores somente considerando o tempo total gasto para resolver os problemas pois desconsideraram o tempo de leitura e an´ alise sint´ atica da linguagem PDDL em que os problemas estavam descritos.
Mas mesmo assim, as competi¸ c˜ oes ainda classificam seus planejadores considerando apenas os resultados finais dos planejadores envolvendo o tempo gasto e o tamanho do plano, n˜ ao levando em considera¸ c˜ ao as diferen¸ cas de implementa¸ c˜ oes existentes.
O ambiente IPE , a ser apresentado no pr´ oximo cap´ ıtulo, permite um estudo mais completo de planejadores possibilitando constru´ ı-los e compar´ a-los mais eficientemente. ´ E um ambiente did´ atico, de f´ acil entendimento, que permite o desenvolvimento em grupo de maneira facilitada. Todos os planejadores seguem a mesma estrutura de implementa¸ c˜ ao, diferenciando-se somente pelo algoritmo e estrutura de representa¸ c˜ ao empregados. Assim, teremos um ambiente de desenvolvimento que supre as necessidades at´ e aqui apresentadas.
Cap´ ıtulo 3
Ambiente de Planejamento Ipˆ e
Nesse cap´ ıtulo apresentaremos o IPE -Ipˆ e Planning Enviromment (Ambiente de Planejamento Ipˆ e) que ´ e um ambiente para desenvolvimento de planejadores possibilitando implementar diferentes algoritmos e estruturas de simplifica¸ c˜ ao utilizando a mesma linguagem de programa¸ c˜ ao e as mesmas caracter´ ısticas estruturais.
Devido ao grande n´ umero de planejadores atualmente encontrados na literatura e a diversidade de suas implementa¸ c˜ oes ´ e dif´ ıcil compar´ a-los eficientemente e muito menos estud´ a-los. A Competi¸ c˜ ao de Planejadores [Bac00] tem esse objetivo mas n˜ ao consegue cumprir totalmente seu papel pois existem fatores, como linguagens e estruturas de implementa¸ c˜ ao, que influenciam no desempenho de um sistema e n˜ ao s˜ ao considerados.
Nas se¸ c˜ oes seguintes apresentaremos a arquitetura IPE , apresentando a estrutura de classes definida e implementada e depois exemplificando o seu uso a partir de trˆ es planejadores j´ a implementados.
3.1 A arquitetura IPE
Antes de apresentar a estrutura e o funcionamento do ambiente IPE em mais detalhes ´ e importante apresentarmos uma an´ alise detalhada sobre o funcionamento de um planejador.
O processo de solu¸ c˜ ao de um problema de planejamento inicia a partir de arquivos contendo a descri¸ c˜ ao de um problema a ser resolvido (por exemplo arquivos em PDDL ). Um Analisador Sint´ atico verifica a corretude da descri¸ c˜ ao e codifica essas informa¸ c˜ oes em uma estrutura interna desejada, objetivando facilitar a indexa¸ c˜ ao dessas informa¸ c˜ oes. Com base nas informa¸ c˜ oes do problema de planejamento indexadas, o Codificador gera uma nova estrutura com um melhor poder de representa¸ c˜ ao destas informa¸ c˜ oes (por exemplo: grafo de planos, instˆ ancia SAT ou uma Rede de Petri). Finalmente esta representa¸ c˜ ao ´ e utilizada por algum Resolvedor que busca a solu¸ c˜ ao para o problema.
Como pudemos observar um planejador manipula as informa¸ c˜ oes de um problema de planejamento atrav´ es de diversas estruturas. A figura 3.1 apresenta o fluxo de informa¸ c˜ oes entre estas estruturas, desde a defini¸ c˜ ao de um problema at´ e o plano solu¸ c˜ ao propriamente dito. Os c´ ırculos representam as estruturas de informa¸ c˜ ao e os retˆ angulos representam os processos respons´ aveis pela codifica¸ c˜ ao de uma estrutura em outra.
A partir do fluxo de informa¸ c˜ oes, elaboramos um diagrama de classe segundo o paradigma de programa¸ c˜ ao orientada ` a objeto, que nos permite uma defini¸ c˜ ao mais detalhada dos componentes formadores de um planejador. A figura 3.2 apresenta o diagrama de classes simplificado do IPE , uma vez que apresentamos somente os principais atributos e m´ etodos de cada classe. Esse diagrama tamb´ em refere-se ` a implementa¸ c˜ ao efetuada nesse trabalho e apresenta ainda poss´ ıveis extens˜ oes do ambiente IPE .
Seguindo a id´ eia apresentada anteriormente, as principais classes do sistema s˜ ao o Resolvedor , a Representa¸ c˜ ao e o Analisador Sint´ atico .
A classe Analisador Sint´ atico ´ e formada por m´ etodos que fazem a an´ alise sint´ atica do arquivo de descri¸ c˜ ao do dom´ ınio e do problema, disponibilizando seu conte´ udo atrav´ es de uma estrutura de acesso mais r´ apida, as listas de palavras. Esta classe ´ e implementada para reconhecimento e valida¸ c˜ ao da linguagem PDDL , apresentada na se¸ c˜ ao 2.2, pois atualmente ´ e a linguagem padr˜ ao para a defini¸ c˜ ao dos problemas de planejamento. ´ E implementada em C++ e Bison.
A classe Problema apresenta as informa¸ c˜ oes referentes ao dom´ ınio e a um problema deste dom´ ınio. Ela inclui uma classe Analisador Sint´ atico , classe que disponibiliza as informa¸ c˜ oes referentes ao problema. A classe Problema faz o processo de instancia¸ c˜ ao tanto de a¸ c˜ oes quanto de proposi¸ c˜ oes e apresenta m´ etodos respons´ aveis pelo processo de indexa¸ c˜ ao dessas informa¸ c˜ oes, aqui representado pelo m´ etodo Index() , que fornece o ´ ındice de cada a¸ c˜ ao ou proposi¸ c˜ ao instanciada. Apresenta ainda o estado inicial e final, formados por proposi¸ c˜ oes instanciadas.
Na classe Representa¸ c˜ ao ´ e constru´ ıda a classe Tabela de S´ ımbolos , que auxilia no processo de busca das informa¸ c˜ oes, sendo que cada representa¸ c˜ ao tem a sua pr´ opria tabela. Tamb´ em apresenta m´ etodos de acesso a ocorrˆ encias, ´ ındices e ` a tradu¸ c˜ ao destes nas respectivas informa¸ c˜ oes.
A partir da classe Representa¸ c˜ ao , o processo se d´ a apenas atrav´ es dos ´ ındices obtidos atrav´ es da classe Problema . Esta classe ´ e um estere´ otipo, pois nela somente est´ a definida a estrutura comum de qualquer representa¸ c˜ ao. As classes 'filhas' implementar˜ ao seus tipos de dados referentes a sua pr´ opria representa¸ c˜ ao. Por exemplo, a classe Grafo de Planos , Rede de Petri e Grafo-Rede de Petri , j´ a implementadas. O ambiente possibilita a cria¸ c˜ ao de novas representa¸ c˜ oes. Todas estas classes ser˜ ao representa¸ c˜ oes que implementar˜ ao caracter´ ısticas distintas.
A classe Tabela de S´ ımbolos ´ e uma estrutura de acesso direto implementada a partir de listas de ´ ındices e vetores de ocorrˆ encias desses ´ ındices. Na Tabela de S´ ımbolos dispon´ ıvel pela classe Representa¸ c˜ ao os ´ ındices s˜ ao referentes as a¸ c˜ oes e proposi¸ c˜ oes, mas ´ e poss´ ıvel estender os ´ ındices para caracter´ ısticas necess´ arias em cada representa¸ c˜ ao, como ´ e o caso da classe Rede de Petri que insere os ´ ındices referentes as transi¸ c˜ oes e lugares da rede. Esta classe possibilita acesso direto tanto ` a informa¸ c˜ ao quanto ` as ocorrˆ encias dessas informa¸ c˜ oes em toda a estrutura da classe Representa¸ c˜ ao .
A classe Resolvedor cont´ em uma representa¸ c˜ ao utilizada na aplica¸ c˜ ao de seu algoritmo de resolu¸ c˜ ao. A representa¸ c˜ ao ainda ´ e respons´ avel pela convers˜ ao dos ´ ındices em suas respectivas informa¸ c˜ oes n˜ ao-num´ ericas que ser˜ ao utilizadas para apresentar a solu¸ c˜ ao para o usu´ ario do sistema. Esta classe tamb´ em ´ e um estere´ otipo, nela somente ´ e definida a estrutura comum de qualquer resolvedor. As classes 'filhas' implementar˜ ao seus algoritmos sobre sua pr´ opria classe Representa¸ c˜ ao . Por exemplo, a classe Busca Exaustiva que
aplica seu algoritmo de busca exaustiva na classe Grafo de Planos .
Um planejador ´ e constru´ ıdo pela uni˜ ao destas classes a partir da classe Resolvedor . Basicamente um planejador resolver´ a o problema de planejamento a partir do seu algoritmo aplicado em uma representa¸ c˜ ao que armazena as informa¸ c˜ oes do problema e do dom´ ınio.
A presente vers˜ ao do IPE ´ e desenvolvida em C++ para a plataforma GNU/Linux usando o paradigma de programa¸ c˜ ao orientado ` a objeto pois permite um desenvolvimento independente dos componentes formadores de um planejador. ´ E um projeto desenvolvido pela equipe de planejamento do Laborat´ orio de Inteligˆ encia Computacional da Universidade Federal o Paran´ a - UFPR.
A estrutura projetada nos possibilita uma grande varia¸ c˜ ao de combina¸ c˜ oes entre resolvedores e representa¸ c˜ oes. Permite a implementa¸ c˜ ao de antigos algoritmos nas novas estruturas de representa¸ c˜ ao existentes. Assim, temos uma plataforma de desenvolvimento flex´ ıvel e did´ atica que permite implementar diferentes planejadores a partir da mesma estrutura, possibilitando que estes sejam comparados mais efetivamente pois somente apresentar˜ ao diferen¸ ca no algoritmo de busca e/ou representa¸ c˜ ao utilizada.
3.2 Construindo planejadores
Como vimos na figura 3.1, independente da representa¸ c˜ ao ou do resolvedor que se deseja desenvolver, tem-se a necessidade de resolver dois problemas iniciais: a leitura e valida¸ c˜ ao dos arquivos PDDL , que contˆ em a descri¸ c˜ ao do problema a ser resolvido e a instancia¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes e predicados. Ambos j´ a est˜ ao implementados no IPE sendo necess´ ario apenas utiliz´ a-los.
Primeiramente deve-se criar um objeto da classe Analisador Sint´ atico que faz a an´ alise sint´ atica dos arquivos de dom´ ınio e problema escritos em PDDL , e a disponibiliza¸ c˜ ao de m´ etodos de acesso destas informa¸ c˜ oes. Essa classe necessita de dois parˆ ametros: o arquivo do dom´ ınio e o arquivo do problema.
O segundo objeto a ser criado, respons´ avel pela instancia¸ c˜ ao das a¸ c˜ oes e predicados de um referido problema, deve ser uma instˆ ancia da classe Problema . Esse objeto necessita de um parˆ ametro, o objeto Analisador Sint´ atico criado anteriormente. Quando esse objeto ´ e criado, torna-se dispon´ ıvel um conjunto de m´ etodos de acesso a todas proposi¸ c˜ oes e a¸ c˜ oes instanciadas.
Os passos seguintes s˜ ao: criar a representa¸ c˜ ao, que armazena as informa¸ c˜ oes do problema de forma organizada para facilitar a solu¸ c˜ ao; e o resolvedor, que encontra uma solu¸ c˜ ao para o problema utilizando a representa¸ c˜ ao. Esses passos s˜ ao distintos para cada planejador, assim s˜ ao apresentados a seguir trˆ es planejadores que est˜ ao implementados no IPE .
3.2.1 GRAPHPLAN -1
Esse planejador foi implementado baseando-se no algoritmo do GRAPHPLAN , descrito na se¸ c˜ ao 2.4.1. Ele se utiliza da representa¸ c˜ ao grafo de planos, apresentada na se¸ c˜ ao 2.3.2, na qual aplica um algoritmo de busca exaustiva para encontrar o plano solu¸ c˜ ao.
Tendo um objeto da classe Problema devidamente instanciado, o pr´ oximo passo ´ e criar um objeto da classe Representa¸ c˜ ao . No caso do GRAPHPLAN a representa¸ c˜ ao utilizada ´ e o grafo de planos. Assim deve-se desenvolver uma sub-classe da classe Representa¸ c˜ ao , denominada Grafo de Planos , capaz de construir e armazenar o grafo de planos.
A classe Grafo de Planos , implementada no IPE , possui um construtor que recebe como parˆ ametro um objeto da classe Problema . A partir desse objeto ´ e gerado o estado inicial do grafo de planos e o estado final desejado. Para a expans˜ ao do grafo, a classe Grafo de Planos apresenta o m´ etodo expande . Esse m´ etodo adiciona uma nova camada de a¸ c˜ oes v´ alidas no grafo e adiciona uma nova camada de proposi¸ c˜ oes que s˜ ao os efeitos das a¸ c˜ oes aplicadas.
Um outro m´ etodo necess´ ario para a cria¸ c˜ ao de um grafo de planos, ´ e o m´ etodo tem objetivos . Esse m´ etodo ´ e o crit´ erio de parada para a expans˜ ao do grafo, pois verifica se a ´ ultima camada do grafo gerado at´ e o momento cont´ em todas as proposi¸ c˜ oes do estado final desejado sem conflitos.
Assim, ao instanciar um objeto da classe Grafo de Planos , ´ e poss´ ıvel criar um grafo de planos completamente, bastando executar o m´ etodo expande at´ e que o m´ etodo tem objetivos retorne verdadeiro. Esse processo gera o grafo de planos com uma solu¸ c˜ ao poss´ ıvel.
Para extrair o plano, tarefa realizada por um resolvedor que utilize o grafo de planos, ´ e necess´ ario criar um objeto que recebe o grafo de planos e faz uma busca pelo plano solu¸ c˜ ao nesse grafo. O objeto criado no IPE ´ e uma instˆ ancia da classe Busca Exaustiva , que, por sua vez, ´ e uma sub-classe da classe Resolvedor .
A classe Busca Exaustiva recebe como parˆ ametro um objeto da classe Representa¸ c˜ ao , que no caso do GRAPHPLAN ´ e da classe Grafo de Planos . Essa classe disponibiliza o m´ etodo resolve que faz uma busca exaustiva no grafo de planos para encontrar o plano solu¸ c˜ ao para o problema. Esse m´ etodo retorna positivo se encontrar um plano e falso se n˜ ao encontrar, sendo assim necess´ ario fazer uma nova expans˜ ao do grafo e, posteriormente, uma nova busca. Esse processo ocorre at´ e que o plano solu¸ c˜ ao seja encontrado ou at´ e que o processo pare por limita¸ c˜ oes de tempo ou mem´ oria.
Tendo todo esse cen´ ario constru´ ıdo, basta agora construir o c´ odigo principal, mostrado na figura 3.3. Na linha 1 os arquivos que contˆ em o dom´ ınio e o problema s˜ ao processados. Na linha 2 cria-se a representa¸ c˜ ao interna do problema e dom´ ınio. Na linha 3 o grafo de planos ´ e criado. Na linha 4 o grafo de planos ´ e expandido at´ e que a ´ ultima camada contenha o estado final sem conflitos. Na linha 5 o GRAPHPLAN -1 ´ e criado como um objeto Busca Exaustiva que recebe como parˆ ametro o Grafo de Planos . Na linha 6 tenta-
se encontrar uma solu¸ c˜ ao. Se n˜ ao foi poss´ ıvel encontrar a solu¸ c˜ ao, uma nova expans˜ ao do grafo ´ e realizada.
main() { 1 Analisador Sintatico analisador('dominio.pddl', 'problema.pddl'); 2 Problema problema(&analisador); 3 Grafo de Planos grafo(&problema); 4 while ( ! grafo.tem objetivos() ) grafo.expande(); 5 Busca Exaustiva graphplan-1(&grafo); 6 while ( ! graphplan-1.resolve() ) grafo.expande(); }
3.2.2 PETRIPLAN -1
O algoritmo do PETRIPLAN -1 foi descrito na se¸ c˜ ao 2.4.2. Esse planejador se utiliza da representa¸ c˜ ao rede de Petri gerada a partir de um grafo de planos e aplica um algoritmo de alcan¸ cabilidade de sub-marca¸ c˜ ao utilizando-se de PI para encontrar um plano solu¸ c˜ ao.
Como foi citado anteriormente, tem-se um objeto da classe Problema devidamente instanciado, assim deve-se criar um objeto da classe Grafo de Planos , descrita na se¸ c˜ ao anterior. Tendo o objeto Grafo de Planos devidamente instanciado, construir o grafo, a partir do m´ etodo expande , at´ e que o m´ etodo tem objetivos retorne verdadeiro, o que indica que o grafo gerado cont´ em todas as proposi¸ c˜ oes do estado final desejado sem conflitos.
O pr´ oximo passo ´ e criar um objeto capaz de traduzir o grafo de planos em uma Rede de Petri. Esse objeto ´ e uma instˆ ancia da classe Grafo-Rede de Petri , que ´ e constru´ ıda a partir da classe Rede de Petri , que por sua vez ´ e uma sub-classe da classe Representa¸ c˜ ao . A classe Rede de Petri ´ e aqui utilizada como estrutura para armazenar uma Rede de Petri representada por matrizes. A classe Grafo-Rede de Petri possui um construtor que recebe como parˆ ametro um objeto da classe Grafo de Planos e o m´ etodo traduzir que traduz o grafo de planos na Rede de Petri, ou seja, lˆ e o grafo armazenado no objeto Grafo de Planos e o traduz para a estrutura da classe Rede de Petri .
Para extrair o plano, tarefa realizada por um resolvedor que utilize a Rede de Petri, ´ e necess´ ario criar um objeto que recebe a Rede de Petri e implemente a alcan¸ cabilidade de sub-marca¸ c˜ ao. O objeto criado no IPE ´ e uma instˆ ancia da classe Alcan¸ cabilidade , que, por sua vez, ´ e uma sub-classe da classe Resolvedor .
A classe Alcan¸ cabilidade recebe como parˆ ametro um objeto da classe Representa¸ c˜ ao , que no caso do PETRIPLAN -1 ´ e da classe Rede de Petri . Essa classe disponibiliza o
main() { 1 Analisador Sintatico analisador('dominio.pddl', 'problema.pddl'); 2 Problema problema(&analisador); 3 Grafo de Planos grafo(&problema); 4 while ( ! grafo.tem objetivos() ) grafo.expande(); 5 Grafo-Rede de Petri rede(&grafo); 6 Alcancabilidade petriplan-1(&rede); 7 while ( ! petriplan-1.resolve() ) { grafo.expande(); rede.traduzir(&grafo); } }
m´ etodo resolve que encontra o plano solu¸ c˜ ao para o problema resolvendo o problema de PI gerado a partir da Rede de Petri. Observe que n˜ ao ´ e necess´ ario usar PI para resolver a alcan¸ cabilidade na Rede de Petri, podendo ser substitu´ ıdo por uma busca exaustiva por exemplo.
Esse m´ etodo retorna positivo se encontrar um plano, e falso se n˜ ao encontrar, sendo assim necess´ ario fazer uma nova expans˜ ao do grafo, uma nova tradu¸ c˜ ao para Rede e posteriormente, uma nova tentativa de resolu¸ c˜ ao. Esse processo ocorre at´ e que o plano solu¸ c˜ ao seja encontrado, ou que o processo pare por limita¸ c˜ oes de tempo ou mem´ oria.
Tendo todo esse cen´ ario constru´ ıdo, basta agora construir o c´ odigo principal, mostrado na figura 3.4. Na linha 1 os arquivos que contˆ em o dom´ ınio e o problema s˜ ao processados. Na linha 2 cria-se a representa¸ c˜ ao interna do problema e dom´ ınio. Na linha 3 o grafo de planos ´ e criado. Na linha 4 o grafo de planos ´ e expandido at´ e que a ´ ultima camada contenha o estado final sem conflitos. Na linha 5 a Rede de Petri ´ e criada a partir do grafo de planos. Na linha 6 o PETRIPLAN -1 ´ e criado como um objeto Alcan¸ cabilidade que recebe como parˆ ametro a Rede de Petri . Na linha 7 tenta-se encontrar uma solu¸ c˜ ao. Se n˜ ao ´ e encontrada, o grafo de planos ´ e novamente expandido e a rede de Petri ´ e novamente obtida.
3.2.3 PETRIPLAN -2
O algoritmo de PETRIPLAN -2 ´ e uma reimplementa¸ c˜ ao do PETRIPLAN -1 que faz a constru¸ c˜ ao de uma rede de Petri diretamente dos arquivos PDDL . A constru¸ c˜ ao da rede de Petri ´ e feita seguindo o processo de constru¸ c˜ ao do grafo de planos e assim aplicando as regras de tradu¸ c˜ ao para a rede.
Como apresentado anteriormente, a classe Rede de Petri ´ e respons´ avel pelo armazenamento da rede de Petri. Essa classe possui um construtor que recebe como parˆ ametro um objeto da classe Problema . Foi adicionado o processo de constru¸ c˜ ao da rede, segundo descrito acima. Esse processo ´ e implementado atrav´ es do m´ etodo expande . Cada vez que esse m´ etodo ´ e executado, ´ e adicionado uma 'camada' na rede, de modo semelhante ao que ´ e feito no grafo de planos.
Tamb´ em foi adicionado na classe Rede de Petri o m´ etodo tem objetivos . Esse m´ etodo tem a mesma funcionalidade apresentada na classe Grafo de Planos , verificar se todas as proposi¸ c˜ oes do estado final desejado est˜ ao presentes e sem conflitos, mas essa informa¸ c˜ ao agora ´ e obtida a partir da estrutura da rede de Petri.
Tendo um objeto da classe Problema devidamente instanciado, cria-se um objeto da classe Rede de Petri . Tendo o objeto Rede de Petri devidamente instanciado, basta construir a rede, a partir do m´ etodo expande , at´ e que o m´ etodo tem objetivos retorne verdadeiro.
Assim como no PETRIPLAN -1, ´ e necess´ ario agora extrair o plano a partir de uma rede de Petri, tarefa realizada pela classe Alcan¸ cabilidade . Como j´ a foi visto na se¸ c˜ ao anterior, tendo um objeto dessa classe, basta executar o m´ etodo resolve at´ e que este retorne positivo, fazendo novas expans˜ oes caso contr´ ario.
Tendo todo esse cen´ ario constru´ ıdo, basta agora construir o c´ odigo principal, mostrado na figura 3.5. Na linha 1 os arquivos que contˆ em o dom´ ınio e o problema s˜ ao processados. Na linha 2 cria-se a representa¸ c˜ ao interna do problema e dom´ ınio. Na linha 3 a rede de Petri ´ e criada. Na linha 4 a rede de Petri ´ e expandida at´ e que a ´ ultima camada contenha o estado final sem conflitos. Na linha 5 o PETRIPLAN -2 ´ e criado como um objeto Alcan¸ cabilidade que recebe como parˆ ametro a Rede de Petri . Na linha 6 tenta-se encontrar uma solu¸ c˜ ao. Se n˜ ao ´ e encontrada, a rede de Petri ´ e novamente expandida.
main() { 1 Analisador Sintatico analisador('dominio.pddl', 'problema.pddl'); 2 Problema problema(&analisador); 3 Rede de Petri rede(&problema); 4 while ( ! rede.tem objetivos() ) rede.expande(); 5 Alcancabilidade petriplan-2(&rede); 6 while ( ! petriplan-2.resolve() ) { rede.expande(); } }
No pr´ oximo cap´ ıtulo ser´ a apresentado uma an´ alise dos trˆ es planejadores aqui descritos e implementados no IPE de forma a justificar e identificar seu potencial.
Cap´ ıtulo 4
Experimentos
Neste cap´ ıtulo s˜ ao mostrados alguns resultados obtidos utilizando o ambiente proposto. O objetivo aqui ´ e mostrar informa¸ c˜ oes mais relevantes do que apenas o tempo final gasto permitindo uma an´ alise mais detalhada dos planejadores.
Os experimentos foram realizados em uma m´ aquina com um processador AMD de 2 Ghz, 512 MB de mem´ oria RAM e o sistema operacional Debian GNU/Linux.
Os planejadores aqui analisados foram os mesmos descritos na se¸ c˜ ao anterior: GRAPHPLAN 1, PETRIPLAN 1 e o PETRIPLAN 2 pois todos est˜ ao completamente implementados no IPE .
Por motivo de espa¸ co, foi limitado a an´ alise dos planejadores na solu¸ c˜ ao de trˆ es problemas de dom´ ınios conhecidos: mundo de blocos, robˆ o ( gripper ) e log´ ıstica; mas a atual implementa¸ c˜ ao suporta a resolu¸ c˜ ao de outros dom´ ınios e problemas do planejamento cl´ assico.
As complexidades dos problemas escolhidos foram definidas a partir de execu¸ c˜ oes de diferentes n´ ıveis, sendo que os problemas aqui apresentados possibilitam uma melhor an´ alise por n˜ ao serem de n´ ıveis intermedi´ arios. Assim poderemos apresentar mais detalhadamente as particularidades dos planejadores ao resolverem os problemas.
O primeiro problema ´ e do cl´ assico dom´ ınio 'mundo de blocos'. O estado inicial e final est˜ ao representados pela figura 4.1. Existe apenas uma a¸ c˜ ao que permite mover um bloco de um lugar para outro, sendo que somente podem ser movidos os blocos livres, ou seja, que n˜ ao possuem nenhum outro bloco sobre ele.
O segundo problema, do dom´ ınio gripper , ´ e constitu´ ıdo por um robˆ o com duas garras, duas salas e algumas bolas. Ele pode carregar uma bola em cada garra. O objetivo do problema aqui utilizado ´ e levar quatro bolas de uma sala para outra. Existem trˆ es a¸ c˜ oes poss´ ıveis: pegar uma bola com uma garra estando em uma sala, soltar a bola da garra em uma sala e mover de uma sala para outra.
O terceiro problema, do dom´ ınio de log´ ıstica, consiste em distribuir seis pacotes em duas cidades, sendo que cada cidade possui um dep´ osito e um aeroporto, ambos capazes
de armazenar os pacotes. Para isso s˜ ao disponibilizados dois caminh˜ oes, um em cada cidade, que podem se locomover apenas dentro da cidade, e um avi˜ ao que pode voar entre os aeroportos transportando os pacotes entre as cidades.
Para uma melhor an´ alise os resultados est˜ ao separados ainda pelas caracter´ ısticas do processo de resolu¸ c˜ ao e estrutura utilizada. Assim, s˜ ao apresentados inicialmente os resultados obtidos pelo GRAPHPLAN 1 e PETRIPLAN 1 pois utilizam a mesma representa¸ c˜ ao, diferenciando-se nos processos seguintes pois utilizam resolvedores diferentes.
O primeiro problema a ser utilizado na an´ alise ´ e o problema dos blocos. Observando a tabela 4.1 pode-se identificar a grande diferen¸ ca no tempo de execu¸ c˜ ao entre os dois planejadores, o GRAPHPLAN executou 24 vezes mais r´ apido que o PETRIPLAN 1, informa¸ c˜ ao apresentada na primeira linha. O n´ umero de a¸ c˜ oes e o tamanho do plano indicam a igualdade das solu¸ c˜ oes encontradas. O tamanho do grafo de planos, indicado pelo n´ umero de nodos, arestas e conflitos, demonstra a igualdade tamb´ em na representa¸ c˜ ao final obtida e utilizada para a busca da solu¸ c˜ ao.
| GRAPHPLAN 1 | PETRIPLAN 1 | |
|---|---|---|
| Tempo Total | 0.17 | 4.18 |
| N´ umero de A¸ c˜ oes | 7 | 7 |
| Tamanho do Plano | 6 | 6 |
| N´ umero de Nodos | 531 | 531 |
| N´ umero de Arestas | 1138 | 1138 |
| N´ umero de Mutexes | 12760 | 12760 |
Mesmo com todas essas informa¸ c˜ oes ´ e dif´ ıcil analisar e principalmente verificar o que ocasiona a lentid˜ ao apresentada pelo PETRIPLAN 1. Como no ambiente IPE tem-se o dom´ ınio de todo o processo, geramos a tabela 4.2 que complementa a tabela anterior e
apresenta outras informa¸ c˜ oes que s˜ ao relevantes para a an´ alise.
| GRAPHPLAN 1 | PETRIPLAN 1 | |
|---|---|---|
| Tempo do Analisador | 0.00 | 0.00 |
| Tempo da Instancia¸ c˜ ao | 0.00 | 0.00 |
| Tempo do C´ alc. Mut. | 0.01 | 0.01 |
| Tempo das Expans˜ oes | 0.16 | 0.17 |
| Tempo das Tradu¸ c˜ oes | - | 0.10 |
| Tempo das Buscas | 0.00 | 3.90 |
| Tempo Total | 0.17 | 4.18 |
Observando essa tabela verifica-se que os ´ unicos processos respons´ aveis pelo aumento do tempo s˜ ao as tradu¸ c˜ oes do grafo de planos para Rede de Petri e as buscas efetuadas, sendo este ´ ultimo o maior respons´ avel. Todos os outros tempos s˜ ao, desconsiderando o arredondamento, idˆ enticos pois s˜ ao a mesma implementa¸ c˜ ao. Com todas essas informa¸ c˜ oes pode-se concluir com certeza que o resolvedor utilizado pelo PETRIPLAN 1 ´ e ineficiente com rela¸ c˜ ao ao tempo, mas gera solu¸ c˜ oes idˆ enticas ` as obtidas pelo GRAPHPLAN 1.
Como foi citado anteriormente, foram agrupados os resultados obtidos para cada problema de acordo com os planejadores, assim, a pr´ oxima an´ alise compreender´ a os resultados obtidos pelo PETRIPLAN 1 e PETRIPLAN 2 na solu¸ c˜ ao do problema dos blocos pois utilizam representa¸ c˜ oes obtidas diferentemente mas um mesmo resolvedor.
Observando a tabela 4.3 pode-se verificar tamb´ em que a diferen¸ ca no tempo de execu¸ c˜ ao dos planejadores, apresentada na primeira linha, n˜ ao ´ e t˜ ao grande quanto a diferen¸ ca anterior, 24 vezes, mas significativa. O PETRIPLAN 2 ´ e 1 . 6 vezes mais r´ apido que o PETRIPLAN 1. O n´ umero de a¸ c˜ oes e o tamanho do plano indicam a igualdade das solu¸ c˜ oes encontradas. Pode-se verificar a diferen¸ ca no tamanho da rede de Petri obtida, apresentado pelo n´ umero de linhas, colunas, valores diferentes de zero e conflitos. O principal desses itens ´ e os valores diferentes de zero, o PETRIPLAN 2 apresenta 2 . 6 vezes menos que o PETRIPLAN 1. Esse n´ umero influencia diretamente na resolu¸ c˜ ao pois estes s˜ ao os valores que ser˜ ao utilizados para criar o problema de PI. Essa informa¸ c˜ ao j´ a ´ e uma caracter´ ıstica importante para identificar a diferen¸ ca no tempo, mas n˜ ao o suficiente.
Ao analisar mais informa¸ c˜ oes, apresentadas na tabela 4.4 que apresenta os tempos gastos por cada processo executado pelo planejador, pode-se observar dois fatores importantes. O primeiro ´ e a diferen¸ ca no tempo gasto pelo resolvedor, que ´ e justificada pelo tamanho da rede reduzido apresentado anteriormente. O segundo ´ e a diferen¸ ca relativamente grande no tempo gasto pelo processo de expans˜ ao, no qual o PETRIPLAN 2 gasta 4 , 29 vezes mais que o PETRIPLAN 1. Esse valor foi obtido dividindo-se o tempo gasto
| PETRIPLAN 1 | PETRIPLAN 2 | |
|---|---|---|
| Tempo Total | 4.18 | 2.58 |
| N´ umero de A¸ c˜ oes | 7 | 7 |
| Tamanho do Plano | 6 | 6 |
| N´ umero de Linhas | 5111 | 2146 |
| N´ umero de Colunas | 427 | 412 |
| N´ umero de Val. N˜ ao Zeros | 9557 | 3651 |
| N´ umero de Conflitos | 4468 | 1505 |
nas expans˜ oes do PETRIPLAN 2 pelo PETRIPLAN 1. Essa diferen¸ ca ´ e justificada pela estrutura de implementa¸ c˜ ao da matriz utilizada para armazenar a rede de Petri.
| PETRIPLAN 1 | PETRIPLAN 2 | |
|---|---|---|
| Tempo do Analisador | 0.00 | 0.00 |
| Tempo da Instancia¸ c˜ ao | 0.00 | 0.00 |
| Tempo do C´ alc. Mut. | 0.01 | - |
| Tempo das Expans˜ oes | 0.17 | 0.73 |
| Tempo das Tradu¸ c˜ oes | 0.10 | - |
| Tempo das Buscas | 3.90 | 1.84 |
| Tempo Total | 4.18 | 2.58 |
A pr´ oxima an´ alise ´ e feita sobre o problema do robˆ o. A tabela 4.5 apresenta os resultados obtidos pelo GRAPHPLAN 1 e PETRIPLAN 1. Pode-se observar que para esse problema tamb´ em ocorre uma grande diferen¸ ca no tempo de execu¸ c˜ ao dos planejadores, informa¸ c˜ ao presente na primeira linha. E as outras informa¸ c˜ oes demonstram a igualdade da solu¸ c˜ ao e representa¸ c˜ ao.
Observando a tabela 4.6 pode-se verificar e confirmar os resultados do problema anterior onde verifica-se que o tempo gasto pelo PETRIPLAN 1 ´ e quase que totalmente causado pela busca (7.09 segundos) e n˜ ao pelo processo de tradu¸ c˜ ao (0.16 segundos). Todos os outros tempos s˜ ao, desconsiderando o arredondamento, idˆ enticos pois s˜ ao a mesma implementa¸ c˜ ao.
| GRAPHPLAN 1 | PETRIPLAN 1 | |
|---|---|---|
| Tempo Total | 0.17 | 7.39 |
| N´ umero de A¸ c˜ oes | 11 | 11 |
| Tamanho do Plano | 7 | 7 |
| N´ umero de Nodos | 573 | 573 |
| N´ umero de Arestas | 1266 | 1266 |
| N´ umero de Mutexes | 12032 | 12032 |
| GRAPHPLAN 1 | PETRIPLAN 1 | |
|---|---|---|
| Tempo do Analisador | 0.00 | 0.00 |
| Tempo da Instancia¸ c˜ ao | 0.00 | 0.00 |
| Tempo do C´ alc. Mut. | 0.00 | 0.00 |
| Tempo das Expans˜ oes | 0.15 | 0.14 |
| Tempo das Tradu¸ c˜ oes | - | 0.16 |
| Tempo das Buscas | 0.02 | 7.09 |
| Tempo Total | 0.17 | 7.39 |
Com todas essas observa¸ c˜ oes pode-se concluir que o resolvedor utilizado pelo PETRIPLAN 1 ´ e ineficiente com rela¸ c˜ ao ao tempo, mas gera solu¸ c˜ oes corretas e idˆ enticas ` as obtidas pelo GRAPHPLAN 1.
A pr´ oxima an´ alise ser´ a feita com base na tabela 4.7 que compreende a resolu¸ c˜ ao do problema do robˆ o pelos planejadores PETRIPLAN 1 e PETRIPLAN 2. Observando essa tabela pode-se observar novamente a diferen¸ ca no tempo de execu¸ c˜ ao dos planejadores, agora n˜ ao t˜ ao intensa, mas significativa.
O n´ umero de a¸ c˜ oes e o tamanho do plano indicam a igualdade das solu¸ c˜ oes encontradas. Aqui tamb´ em apresenta-se a diferen¸ ca no tamanho da rede de Petri obtida, apresentado pelo n´ umero de linhas, colunas, valores diferentes de zero e conflitos, informa¸ c˜ ao importante para identificar a diferen¸ ca no tempo, mas n˜ ao o suficiente.
Ao analisar mais informa¸ c˜ oes, apresentadas na tabela 4.8 que apresenta os tempos gastos por cada processo executado pelo planejador, pode-se observar dois fatores importantes. O primeiro ´ e a diferen¸ ca no tempo gasto pelo resolvedor, que ´ e justificada pelo tamanho da rede reduzido apresentado anteriormente. O segundo ´ e que os tempos gastos pelo processo de expans˜ ao s˜ ao quase que equivalentes, bem diferente do que foi obtido no problema anterior onde o PETRIPLAN 2 foi 4,29 vezes mais lento que o PETRIPLAN 1
| PETRIPLAN 1 | PETRIPLAN 2 | |
|---|---|---|
| Tempo Total | 7.39 | 3.53 |
| N´ umero de A¸ c˜ oes | 11 | 11 |
| Tamanho do Plano | 7 | 7 |
| N´ umero de Linhas | 5312 | 2374 |
| N´ umero de Colunas | 454 | 454 |
| N´ umero de Val. N˜ ao Zeros | 9906 | 4030 |
| N´ umero de Conflitos | 4595 | 1656 |
no processo de expans˜ ao.
| PETRIPLAN 1 | PETRIPLAN 2 | |
|---|---|---|
| Tempo do Analisador | 0.00 | 0.00 |
| Tempo da Instancia¸ c˜ ao | 0.00 | 0.00 |
| Tempo do C´ alc. Mut. | 0.00 | - |
| Tempo das Expans˜ oes | 0.14 | 0.15 |
| Tempo das Tradu¸ c˜ oes | 0.16 | - |
| Tempo das Buscas | 7.09 | 3.36 |
| Tempo Total | 7.39 | 3.52 |
Como tˆ em-se total conhecimento e dom´ ınio de todo o processo e estrutura empregados no IPE ´ e f´ acil fazer uma an´ alise mais detalhada para verificar o motivo dessa diferen¸ ca. Para isso foram obtidas mais informa¸ c˜ oes do processo de expans˜ ao do planejador PETRIPLAN 2 que s˜ ao apresentados na tabela 4.9.
| blocos | gripper | ||
|---|---|---|---|
| Tempo das | Expans˜ oes 1 | 0.00 | 0.01 |
| Tempo das | Expans˜ oes 2 | 0.00 | 0.02 |
| Tempo das | Expans˜ oes 3 | 0.03 | 0.05 |
| Tempo das | Expans˜ oes 4 | 0.16 | 0.07 |
| Tempo das | Expans˜ oes 5 | 0.23 | 0.00 |
| Tempo das | Expans˜ oes 6 | 0.30 | 0.00 |
| Tempo das | Expans˜ oes 7 | - | 0.00 |
| Tempo das | Expans˜ oes | 0.72 | 0.15 |
Com essas informa¸ c˜ oes pode-se verificar que o PETRIPLAN 2 no problema dos blocos executa seis expans˜ oes e sempre aumenta o tempo gasto em cada expans˜ ao. J´ a no problema do robˆ o o PETRIPLAN 2 executa uma expans˜ ao a mais, sete expans˜ oes, mas a partir da quinta o tempo gasto n˜ ao chega nem a um cent´ esimo.
Essa diferen¸ ca ocorre devido a um processo de c´ opia que ocorre no m´ etodo expande da classe Rede de Petri . Quando o grafo de planos est´ a estagnado, ou seja, n˜ ao existe nenhuma diferen¸ ca entre as duas ´ ultimas camadas, torna-se poss´ ıvel a obten¸ c˜ ao da pr´ oxima camada a partir de uma c´ opia da camada anterior. Como a rede de Petri ´ e armazenada em matrizes, quando ocorre a estagna¸ c˜ ao, ´ e feito apenas uma c´ opia das linhas e colunas que formam a ´ ultima camada. Verifica-se ent˜ ao que no problema dos blocos n˜ ao acontece a estagna¸ c˜ ao antes que a solu¸ c˜ ao seja poss´ ıvel.
O ´ ultimo experimento realizado compreende os resultados obtidos na resolu¸ c˜ ao do problema de log´ ıstica. A tabela 4.10 apresenta os resultados obtidos pelo GRAPHPLAN 1 e PETRIPLAN 1. O comportamento desses planejadores ´ e equivalente ao retratado nas an´ alises anteriores, podendo-se observar que tamb´ em apresenta uma grande diferen¸ ca no tempo de execu¸ c˜ ao dos planejadores mas que as outras informa¸ c˜ oes demonstram a igualdade da solu¸ c˜ ao e representa¸ c˜ ao.
| GRAPHPLAN 1 | PETRIPLAN 1 | |
|---|---|---|
| Tempo Total | 0.42 | 11.12 |
| N´ umero de A¸ c˜ oes | 23 | 23 |
| Tamanho do Plano | 9 | 9 |
| N´ umero de Nodos | 1297 | 1297 |
| N´ umero de Arestas | 2308 | 2308 |
| N´ umero de Mutexes | 19230 | 19230 |
Umfato interessante acontece na resolu¸ c˜ ao do problema de log´ ıstica pelos planejadores PETRIPLAN 1 e PETRIPLAN 2, informa¸ c˜ oes apresentadas na tabela 4.11. Observando essa tabela pode-se identificar novamente a diferen¸ ca no tempo de execu¸ c˜ ao dos planejadores e no tamanho da representa¸ c˜ ao, mas pode-se ainda identificar mais um item importante e que diferencia-se das an´ alises anteriores, item este que ´ e a diferen¸ ca do n´ umero de a¸ c˜ oes dos planos encontrados.
A diferen¸ ca no n´ umero de a¸ c˜ oes ´ e um fator importante para avalia¸ c˜ ao de qu˜ ao otimizado ´ e o plano. Um plano ´ e mais otimizado quando resolve o problema com o menor n´ umero de a¸ c˜ oes poss´ ıveis. Existem ainda planos que solucionam o problema mas apresentam a¸ c˜ oes que n˜ ao s˜ ao necess´ arias e que n˜ ao interferem na solu¸ c˜ ao do problema.
Como no ambiente IPE ambos planejadores utilizam os mesmos processos e estru-
| PETRIPLAN 1 | PETRIPLAN 2 | |
|---|---|---|
| Tempo Total | 11.12 | 12.85 |
| N´ umero de A¸ c˜ oes | 23 | 21 |
| Tamanho do Plano | 9 | 9 |
| N´ umero de Linhas | 8840 | 3626 |
| N´ umero de Colunas | 1048 | 1144 |
| N´ umero de Val. N˜ ao Zeros | 16172 | 5600 |
| N´ umero de Conflitos | 7347 | 1974 |
turas iniciais e os mesmos resolvedores, a diferen¸ ca somente pode ocorrer na estrutura de representa¸ c˜ ao. O PETRIPLAN 2 gera a rede de Petri a partir da defini¸ c˜ ao do problema considerando os processos de constru¸ c˜ ao do grafo de planos mas n˜ ao implementa os conflitos recorrentes, j´ a o PETRIPLAN 1 gera a rede de Petri a partir do grafo de planos.
Com essa informa¸ c˜ ao pode-se verificar que a representa¸ c˜ ao da rede de Petri al´ em de n˜ ao necessitar que seja implementado os conflitos recorrentes pois representa-os em sua pr´ opria estrutura fornece uma solu¸ c˜ ao mais otimizada, uma vez que o PETRIPLAN 2 apresentou a solu¸ c˜ ao com menor n´ umero de a¸ c˜ oes desnecess´ arias que o PETRIPLAN 1 e o GRAPHPLAN 1. Mesmo assim verificou-se que ambas as solu¸ c˜ oes ainda contˆ em a¸ c˜ oes que s˜ ao desnecess´ arias para o problema, por exemplo no dom´ ınio de log´ ıstica os planos encontrados apresentam a¸ c˜ oes que movimentam o avi˜ ao da cidade 1 para a cidade 2 e depois da cidade 2 para a cidade 1 enquanto que o caminh˜ ao dirige-se para o dep´ osito e ´ e carregado.
Com essas informa¸ c˜ oes pode-se, al´ em de entender melhor o funcionamento de cada planejador, propor e implementar melhorias para os problemas encontrados.
Como pode-se observar, o IPE possibilita a constru¸ c˜ ao e an´ alise eficiente de planejadores, permitindo verificar detalhes da execu¸ c˜ ao e estrutura, al´ em de ser uma boa alternativa como ferramenta de aux´ ılio para cursos sobre planejamento. Al´ em da possibilidade de utilizar os processos e estruturas j´ a existentes, o IPE permite verificar onde realmente est´ a a diferen¸ ca dos planejadores, se na estrutura de representa¸ c˜ ao ou no algoritmo empregado, possibilitando ainda um melhor entendimento para poss´ ıveis melhoras e inova¸ c˜ oes.
Cap´ ıtulo 5
Conclus˜ ao
Planejadores s˜ ao sistemas complexos. Para analis´ a-los e estud´ a-los ´ e preciso entender seus componentes: leitura do problema em uma linguagem de descri¸ c˜ ao, representa¸ c˜ ao em uma estrutura de simplifica¸ c˜ ao e algoritmo de resolu¸ c˜ ao. As caracter´ ısticas de implementa¸ c˜ ao desses componentes influenciam diretamente o desempenho dos planejadores. Assim, comparar planejadores n˜ ao ´ e tarefa simples, pois cada um possui uma implementa¸ c˜ ao diferente e os m´ etodos encontrados na literatura s˜ ao ineficientes para analisar e comparar detalhadamente os planejadores.
Neste contexto apresentamos o IPE , que ´ e um ambiente que permite o estudo mais detalhado dos planejadores, possibilitando constru´ ı-los e compar´ a-los com maior profundidade. Nele ´ e poss´ ıvel implementar os componentes do planejador em uma estrutura equivalente permitindo an´ alises detalhadas de suas particularidades. No desenvolvimento de um novo planejador podemos utilizar os componentes j´ a implementados, por exemplo o analisador sint´ atico e/ou a representa¸ c˜ ao, e desenvolver somente o que ´ e de interesse, por exemplo o algoritmo resolvedor. Assim o IPE permite um desenvolvimento r´ apido e ainda possibilita verificar onde realmente est´ a a diferen¸ ca dos planejadores, se na estrutura de representa¸ c˜ ao ou no algoritmo empregado, permitindo uma an´ alise mais profunda para poss´ ıveis melhoras e inova¸ c˜ oes.
Estas caracter´ ısticas tornam o IPE uma boa alternativa como ferramenta de aux´ ılio para cursos sobre planejamento, al´ em de facilitar os trabalhos em equipe. Por exemplo, atualmente j´ a existem v´ arias implementa¸ c˜ oes terminadas ou em andamento no IPE , al´ em dos trˆ es referenciados no cap´ ıtulo 3. O AgPlan [CLPS04] est´ a totalmente implementado no IPE e possui uma equipe implementando sua paraleliza¸ c˜ ao. Existem mais duas implementa¸ c˜ oes de planejadores que traduzem a rede de Petri em SAT aplicando resolvedores diferenciados. Como nossa an´ alise indicou claramente que o ponto falho do PETRIPLAN ´ e o resolvedor, alguns trabalhos no Laborat´ orio de Inteligˆ encia Computacional (LIC) 1 foram direcionados para melhor tratar o problema de alcan¸ cabilidade em redes de Petri
1 http://www.inf.ufpr.br/lic
[Ben04, Mon04].
Outro importante trabalho no IPE ´ e a implementa¸ c˜ ao de uma nova abordagem na tradu¸ c˜ ao do problema de planejamento em uma rede de Petri aproveitando melhor sua capacidade representativa [Sil03]. Esse trabalho foi o motivador para participarmos da IPC International Planning Competition - de 2004, mas n˜ ao obtivemos sucesso na implementa¸ c˜ ao, em tempo h´ abil, de um resolvedor mais eficiente para o problema de alcan¸ cabilidade em redes de Petri, o que continua em desenvolvimento [CGL + 04].
O analisador sint´ atico necessita ser expandido para possibilitar a manipula¸ c˜ ao de problemas do planejamento n˜ ao-cl´ assico, que j´ a est´ a em andamento com o aux´ ılio de alunos de uma disciplina da p´ os-gradua¸ c˜ ao. Outros trabalhos visam ainda a expans˜ ao do IPE para tratar problemas envolvendo tempo ou recursos, usando como base os algoritmos PETRIPLAN implementados [Nov04, Mon04].
Todas as figuras apresentadas nesse trabalho e que representam grafos de plano foram geradas utilizando uma classe implementada no IPE . Essa classe tamb´ em necessita ser expandida para desenhar outras representa¸ c˜ oes al´ em do grafo de planos.
O IPE est´ a dispon´ ıvel atrav´ es do CVS, servi¸ co de desenvolvimento compartilhado, bastando enviar e-mail para [email protected].
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